A Polícia Civil da Bahia instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias e eventuais responsabilidades relacionadas a um vídeo publicado pelo jornalista, escritor e comentarista político Rodrigo Constantino nas redes sociais, no qual o estado da Bahia é chamado de “câncer do Brasil”.
A declaração foi publicada no domingo (4), após a divulgação do resultado do primeiro turno das eleições de 2026. No vídeo, Constantino também fez críticas a Salvador e generalizou comentários sobre a população baiana.
Segundo a Polícia Civil, a investigação também vai analisar outras manifestações presentes na publicação que possam ter caráter discriminatório contra a população do estado.
Apuração corre sob sigilo
Em nota divulgada nesta terça-feira (6), a Polícia Civil informou que as diligências estão sob acesso restrito para preservar o andamento da apuração.
A corporação não detalhou quais medidas já foram adotadas nem informou, neste momento, quais crimes podem eventualmente ser atribuídos ao comentarista. A investigação deverá avaliar as circunstâncias das declarações e possíveis responsabilidades relacionadas à publicação.
Declarações ocorreram após resultado das eleições
No vídeo, Constantino relacionou as críticas ao resultado eleitoral na Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito no primeiro turno, enquanto Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) conquistaram as duas vagas do estado no Senado.
Além de afirmar que a Bahia seria o “câncer do Brasil”, o comentarista chamou Salvador de “lixo” e afirmou que os baianos, “com todas as boas exceções”, seriam uma “vergonha para o Brasil”. Ele também antecipou a possibilidade de ser acusado de xenofobia e afirmou que não se importaria com a classificação.
Caso também chegou ao Ministério Público
A repercussão das declarações levou o caso ao Ministério Público da Bahia. Na segunda-feira (5), o procurador de Justiça Rômulo de Andrade Moreira apresentou uma Notícia de Fato ao procurador-geral de Justiça, Pedro Maia Souza Marques.
No documento, o procurador apontou a possibilidade de as declarações serem analisadas sob a perspectiva de discriminação relacionada à procedência e pediu a instauração de um Procedimento Investigatório Criminal.
O pedido do MP-BA e o procedimento instaurado pela Polícia Civil são etapas de apuração. Até o momento, não há condenação contra Constantino nem conclusão oficial de que as declarações tenham configurado crime.