Uma fotografia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi localizada pela Polícia Federal no celular do banqueiro. O registro, feito em Londres, mostra Gonet com um charuto nas mãos, sentado próximo a Vorcaro e outras duas pessoas, diante de uma mesa com copos de uísque. A autenticidade da imagem foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com as informações divulgadas, a fotografia foi feita em abril de 2024, durante um evento em Londres. O arquivo foi enviado a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, em 19 de junho de 2025. Junto à imagem, Soares escreveu: “PG me mandou”, em referência às iniciais de Paulo Gonet.
Encontro ocorreu antes das investigações sobre o Master
A imagem passou a ser analisada no contexto das mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela PF. O material também reúne registros de contatos entre o banqueiro, Ciro Soares e Gonet, incluindo referências a uma viagem a Londres e a uma ligação telefônica intermediada pelo advogado.
O próprio Gonet reconheceu, durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 15 de setembro, que esteve com Vorcaro em abril de 2024. Segundo o procurador-geral, foi o único encontro entre os dois e ocorreu em uma ocasião que reuniu outras autoridades. Ademais, Gonet afirmou que não mantinha relação de proximidade com o ex-banqueiro.
Registros são analisados no caso Master
As mensagens que mencionam Gonet vieram a público no início de setembro, após o ministro André Mendonça, do STF, divulgar um relatório da PF relacionado às investigações do caso Master. O procurador-geral contestou a validade do documento e questionou a forma como o material foi produzido.
A existência da fotografia confirma que Gonet e Vorcaro participaram do mesmo evento, mas não demonstra, isoladamente, a prática de qualquer irregularidade. O significado dos contatos e das demais mensagens integra a análise das investigações relacionadas ao caso Master. O Conselho Superior do Ministério Público Federal marcou para 25 de setembro uma sessão para avaliar possíveis vínculos mencionados no material.