A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) celebra os 80 anos de nascimento de Belchior com o concerto “Belchior Sinfônico”, que será apresentado nos dias 23 e 24 de outubro, em Salvador e Feira de Santana, respectivamente.
Sob regência do maestro Carlos Prazeres, o espetáculo contará com participações do cantor e compositor João Cavalcanti e do músico, arranjador e sanfoneiro Marcelo Caldi.
As apresentações acontecem às 20h. No dia 23, o concerto será realizado na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador. No dia seguinte, o espetáculo chega ao Teatro da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Os ingressos começam a ser vendidos nesta sexta-feira, 9, pela plataforma Sympla.
Leia Também:
Repertório revisita a obra de Belchior
O concerto propõe uma imersão no universo musical, poético e literário de Belchior, reunindo canções que marcaram a trajetória do compositor cearense. Entre as músicas previstas estão “Mucuripe”, “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “A Palo Seco”, “Velha Roupa Colorida”, “Coração Selvagem” e “Paralelas”, entre outras.
Nascido em Sobral, no Ceará, em 26 de outubro de 1946, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes completaria 80 anos em 2026. Autor de canções como “Sujeito de Sorte” e “Como Nossos Pais”, o artista construiu uma obra marcada pela poesia, pelas inquietações de seu tempo e pelo diálogo com diferentes referências da literatura e da música.
O ano também marca os 50 anos de Alucinação, álbum lançado em 1976 e que reúne algumas das composições mais conhecidas do cantor e compositor.
“Belchior é um daqueles artistas que atravessam o tempo porque nunca deixou de falar sobre o ser humano. Sua obra é inquieta, provocadora, profundamente poética e, ao mesmo tempo, popular. Ele cantou o amor, a juventude, o deslocamento, as contradições do Brasil e sua mensagem é mais do que atual”, afirma Carlos Prazeres, maestro e diretor artístico da OSBA.
Para Prazeres, transformar o repertório do artista em um concerto sinfônico permite explorar novas possibilidades das composições sem perder suas características.
“O desafio do universo sinfônico é revelar outras camadas dessa obra. Por isso, chamamos Marcelo Caldi e João Cavalcanti, artistas acostumados com essa ponte entre o clássico e o pop. A orquestra amplia sua poesia sem retirar dela a força, a urgência e até a aspereza que fazem parte de sua identidade. É o encontro entre a palavra de um artista absolutamente singular e a potência de uma orquestra sinfônica”, explica o maestro.
João Cavalcanti participa da construção do espetáculo
Além de interpretar as canções, João Cavalcanti também participa da concepção do roteiro e do desenvolvimento do repertório do concerto. O trabalho foi construído a partir de pesquisas sobre a obra, entrevistas e referências de Belchior. Os arranjos são assinados pelo músico e arranjador Tiago Pallone.
“A gente quis aprofundar esse universo ‘belchioriano’ num lugar que tivesse mais a ver com ele. Belchior sempre foi um artista muito ligado à intertextualidade, cita muitos poemas nas obras dele, e fui trazendo esses poemas e essas referências para o roteiro”, explica João Cavalcanti.
Para as apresentações na Bahia, o roteiro ganhou novos elementos, entre eles uma aproximação com a obra de Milton Nascimento. Os dois artistas nasceram em 26 de outubro, e Belchior chegou a citar Milton em entrevistas. A referência passa a integrar o diálogo construído no espetáculo.
Sanfona e orquestra ampliam repertório
Parceiro da OSBA em diferentes projetos, Marcelo Caldi participa do concerto tocando sanfona. Para o músico, a permanência das questões abordadas por Belchior ajuda a explicar por que suas canções continuam dialogando com o público décadas depois.
“O que Belchior estava falando há 50 anos são questões que revisitamos hoje enquanto sociedade. É fundamental poder se conectar novamente com essas palavras, tão imagéticas, poderosas e que nos trazem reflexões muito importantes”, afirma Marcelo Caldi.
A apresentação também marca a circulação do espetáculo por diferentes cidades da Bahia. Para Carlos Prazeres, levar o concerto de Salvador para Feira de Santana no dia seguinte reforça a proposta de fazer a música circular pelo estado.
“Há algo muito bonito nesse movimento: celebrar um dos grandes artistas nordestinos dentro da nossa principal casa de espetáculos e, em seguida, fazer essa música viajar pela Bahia. Belchior nunca foi um artista de fronteiras. E acho que esse concerto também não deve ser”, afirma o maestro Carlos Prazeres.
OSBA leva homenagem a Salvador e Feira de Santana
Criada em 30 de setembro de 1982, a Orquestra Sinfônica da Bahia é um corpo artístico do Teatro Castro Alves. O processo de publicização da OSBA foi consolidado em abril de 2017 e, desde então, a Associação Amigos do Teatro Castro Alves (ATCA), entidade sem fins lucrativos qualificada como Organização Social (OS), realiza a gestão da orquestra.
A OSBA permanece como corpo artístico público e é mantida com recursos diretos do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura (SecultBA) e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).
BELCHIOR SINFÔNICO – OSBA
Salvador
- Data: 23 de outubro
- Horário: 20h
- Local: Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA)
- Regência: Carlos Prazeres
- Participações: João Cavalcanti (voz) e Marcelo Caldi (sanfona)
- Ingressos à venda a partir de 9 de outubro
Feira de Santana
- Data: 24 de outubro
- Horário: 20h
- Local: Teatro da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
- Regência: Carlos Prazeres
- Participações: João Cavalcanti (voz) e Marcelo Caldi (sanfona)
- Ingressos à venda a partir de 9 de outubro
Ingressos:
Teatro Castro Alves – Salvador
- Setor I: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia)
- Setor II: R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia)
- Setor III: R$ 60,00 (inteira) | R$ 30,00 (meia)
- Vendas: Bilheteria Física do Teatro Castro Alves (Campo Grande – Salvador) e online pela plataforma Sympla.
Teatro da UEFS – Feira de Santana
- R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia)
- Vendas: online pela plataforma Sympla.