A campanha eleitoral de 2026 começa no dia 6 de agosto nas redes sociais e, a partir de 16 de agosto, também no rádio e na televisão. E, desta vez, a inteligência artificial (IA) desponta como uma das principais ferramentas que devem marcar o processo eleitoral. Mas, se por um lado a tecnologia facilita a produção de conteúdos, por outro amplia os riscos de desinformação e manipulação de informações.
O analista judiciário do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Jaime Barreiros Neto, alerta que o uso indevido da tecnologia para criar conteúdos falsos pode ter graves consequências, incluindo a cassação de candidaturas.
“A tecnologia ampliou o risco de manipulação de imagens e áudios. Com a inteligência artificial vemos uma manipulação cada vez mais fidedigna do real. Mas essa divulgação pode gerar multa para o eleitor, o candidato e até mesmo ter o registro de candidatura cassado e ficar longe do processo por oito anos”, afirma.
O especialista destaca ainda que a disseminação de notícias falsas não é um fenômeno novo no ambiente político, mas ganhou proporções ainda maiores com o avanço das redes sociais.
“As fake news e as mentiras sempre existiram dentro do processo político. Sem dúvida nenhuma, as redes sociais potencializaram essa disseminação. E muitos eleitores, por falta de pesquisa e de checagem, acabam cometendo um erro grave para a democracia ao compartilhar conteúdos falsos”, ressalta.
Para o analista, é fundamental que o eleitor desenvolva um olhar crítico diante das informações que circulam na internet, especialmente durante o período eleitoral.
“O eleitor precisa ter o entendimento esclarecido sobre as informações que recebe, verificar a origem do conteúdo e evitar compartilhar mensagens sem a devida confirmação. Além disso, é preciso ter consciência de que pode ser responsabilizado com a divulgação de informações falsas. Essa postura é essencial para fortalecer a democracia e garantir um processo eleitoral mais transparente”, conclui Barreiros.
Em parceria com o Ministério Público Eleitoral, o TRE recebe e apura denúncias de possíveis irregularidades. Segundo o especialista, a Justiça Eleitoral já tem um Centro Integrado de Inteligência na Propaganda Eleitoral para identificar e combater o uso indevido da inteligência artificial nas campanhas.