Mais do que um hobby, os colecionáveis têm ganhado destaque na decoração, transformando as casas em ambientes que refletem a personalidade dos moradores. Esse movimento acompanha o crescimento do mercado global do setor, que, segundo relatório da consultoria Econ Market Research, foi avaliado em US$ 532,92 bilhões ao ano e pode ultrapassar US$ 1 trilhão até 2035.
Os colecionáveis deixam a casa mais autêntica e fazem com que a decoração tenha significado para os moradores, de acordo com a arquiteta Natália Salles. É essa relação afetiva com os objetos que levou o casal Beatriz Barros e Iago Meijon a incorporar suas coleções de mangás e jogos de tabuleiro à decoração. Para eles, parte da experiência de colecionar está justamente em observar os itens.
Transformar coleções em elementos de destaque no lar exige planejamento, considerando proporção, escala, composição, circulação e hierarquia visual. Segundo a arquiteta Natália Sampaio, esse cuidado permite que a peça mantenha sua identidade e, simultaneamente, contribua para uma narrativa visual do ambiente. “Cada elemento possui uma presença individual, mas, quando reunidos, constroem uma narrativa maior”, destaca a profissional que assina com Tânia Sampaio o espaço Lounge do Colecionador na Casa Cor Bahia 2026.
Integração ao projeto
No apartamento de Beatriz Barros e Iago Meijon, cada coleção ocupa um espaço pensado para valorizá-la: os mangás ficam nas prateleiras do escritório, já os jogos estão em uma estante na sala. Para Natália Sampaio, a organização por conjuntos é a chave para destacar as peças sem gerar excesso de informação visual. “A arquitetura pode funcionar como uma moldura para as coleções integrando-as ao projeto por meio de marcenaria, nichos, painéis, iluminação direcionada, diferentes profundidades e mobiliário expositivo”.
A definição do local ideal também deve levar em conta a conservação dos objetos. Natália Salles recomenda evitar a exposição direta ao sol, a umidade e o excesso de poeira. “Também é importante não sobrecarregar as prateleiras nem deixar as peças amontoadas, porque isso dificulta o manuseio dos objetos e a limpeza. A gente procura manter um espaço entre elas para preservar tanto a coleção quanto a estética do ambiente”, completa.
No dia a dia, os colecionáveis também exigem cuidados específicos. Beatriz Barros e Iago Meijon limpam cada item da coleção mensalmente. Natália Sampaio destaca que cada peça deve ser tratada de acordo com suas características. Assim, além de compor a decoração, as coleções continuam preservando memórias e tornando a casa um reflexo da trajetória e da personalidade de quem vive nela.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló