Embora a amamentação aconteça entre mãe e filho, seu sucesso depende de familiares, profissionais de saúde, empregadores, instituições e políticas públicas. Por isso, neste “Agosto Dourado”, mês dedicado à promoção, proteção e apoio ao leite materno, é preciso transcender à imagem convencional do bebê em sucção.
Amamentar é responsabilidade compartilhada por toda a sociedade e verbo condicionado ao contexto histórico, tendo sido um dos deveres das escravizadas. Hoje, inseridas no mundo em busca de soluções sustentáveis para desafios da saúde pública, poucas ações são tão eficazes e transformadoras quanto o aleitamento.
Criada em 1992 pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno, em parceria com a OMS e o Unicef, a campanha reforça uma mensagem urgente. A TARDE cumpre seu dever de lembrar: o leite humano oferece todos os nutrientes para desenvolver o bebê, além de protegê-lo contra infecções variadas.
Também contribui para a redução do risco de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes ao longo da vida, agindo como um investimento no corpo. O leite é superpotente, inspirando interpretações divinais, trazendo benefícios para as mães, como controle de doenças cardiovasculares, AVC e até infarto.
Tão intenso é o poder do alimento natural, a ponto de se atribuir a força de Hércules ao fato de ter absorvido o leite aspergido do seio da deusa Hera. Nesta cena, o espaço sideral no qual se encontra o planeta Terra tornou-se “Via Láctea” – criada por respingos do leite de Hera, ao errar a boca do robusto bebê.
Seja por viés natural ou pelos caminhos de cultura e sociedade, um dado é atual e clama por compaixão: os bancos de leite dependem da mobilização geral de mães. Recém-nascidos prematuros, de baixo peso ou em situações de risco pedem o excedente de produção das mulheres para as quais os organismos são generosos. Cada frasco doado representa oportunidade de recuperação rápida, com mais saúde e esperança para quem já está na luta para vencer os primeiros desafios da vida.