Comemorar a redução de 60% no processo de extermínio da Mata Atlântica não deixa de ser compreensível, acrescentando o recorde de menos de 10 mil hectares extraídos. Gera boa expectativa o ineditismo destes números de 2025, quando cotejados aos dos 40 anos anteriores, desde a primeira medição.Cabe, no entanto, ressalvar aspectos de realidade impossíveis de refutar sob pena de os ambientalistas enganarem-se a si próprios. O quadro na Bahia não confere projeção de cura para a enfermidade, trata-se de paliativo ou redutor de danos, com potencial de adiamento do fim do mundo verde.Mal comparando, utilizando-se do jogo como didatismo, é como vibrar por perder de 6×0 sob impacto menor em relação a 7×0. São diversas frentes, e todas árduas de enfrentar, caso se decida virar este contexto adverso, a começar pela renovação do Congresso em outubro.A composição do parlamento, se mantida, deverá trazer novas leis permissivas que incentivam o desmatamento, e consequentemente, a doença e a morte, em sequência ao desmanche dos estudos de impacto ambiental.Neste contexto, o registro de 90% das ações de ataque ao bioma, correspondentes à expansão dos negócios agrícolas, sinalizam outra trincheira necessária. A inteligência humana supõe a leitura de uma correlação de forças atualmente desfavorável à natureza, logo é preciso buscar meios de equilibrar o conflito.Não será possível, ao menos neste momento, frear o ânimo dos investidores, portanto faz-se imperativo verificar convergências relacionadas à saúde. Um debate honesto sobre a brevidade da vida, se a Mata Atlântica baixar dos atuais 12% de florestas, poderá sensibilizar uma fração dos proprietários dos territórios. A meta não pode ser a modesta luta para perder de menos; é preciso planejar ações de reflorestamento e plena recuperação dos arvoredos provisoriamente decepados.