primeira etapa da votação
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, medidas para assegurar a participação de indígenas no segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). O pedido ocorre após o órgão receber denúncias sobre dificuldades de transporte até as zonas eleitorais. A ausência de mesários que falem línguas indígenas durante a primeira etapa da votação também foi outro ponto levantado.
De acordo com o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, os problemas ocorreram em Minas Gerais, Mato Grosso, Amapá, Pernambuco, Amazonas e Pará. Entre as situações relatadas está a da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, onde a Justiça Eleitoral negou um pedido de transporte fluvial gratuito, água e alimentação para eleitores de 43 aldeias.
Na decisão, a juíza Dálethe Borges Messias, da 42ª Zona Eleitoral do Amazonas, reconheceu a importância de garantir condições iguais de participação. Ela também justificou a negativa pelo prazo insuficiente para organizar a operação e pela falta de recursos para custear as despesas. A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), afirmou que a logística havia sido articulada em eleições anteriores e manifestou preocupação com a falta de assistência neste ano.
Segundo a entidade, a abstenção indígena no primeiro turno ficou entre 30% e 35%. A Terra Indígena Vale do Javari reúne mais de 6 mil indígenas em 74 aldeias e abriga sete povos. Situada no oeste do Amazonas, na região de fronteira com Peru e Colômbia, a área também enfrenta ameaças como narcotráfico, garimpo ilegal e extração clandestina de madeira.