‘Move Brasil’ aumenta procura por motos

A entrada em operação do Move Brasil para entregadores, mototaxistas e motociclistas de aplicativo já começa a movimentar as concessionárias baianas. No Grupo Motofácil, representante da Yamaha, o fluxo de clientes aumentou cerca de 25% na primeira semana, mas as aprovações avançaram apenas 10%.

“O fluxo de loja aumentou 25%, mas a aprovação não aumentou mais de 10%”, afirma Cláudio Cotrim, sócio-diretor do grupo. Segundo ele, as condições do programa reduzem o valor das parcelas, mas não eliminam a principal barreira: a análise de crédito. “O cliente, mesmo que tenha renda suficiente, se estiver negativado, não consegue aprovar o financiamento”.

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Nas lojas do Grupo Motopema, da Honda, também cresceu a procura por informações. O diretor comercial, Kidy Cordeiro, afirma que os atendimentos aumentam diariamente, sobretudo entre profissionais que usam a motocicleta como ferramenta de trabalho.

“Muitos ainda estão conhecendo as regras e verificando sua elegibilidade. Nossa expectativa é de crescimento consistente à medida que a informação se dissemina”, diz.

Financiamento

O Move Brasil permite financiar até 100% de motos novas habilitadas, sem entrada, com prazo de até 48 meses. A confirmação da elegibilidade, porém, não garante a liberação do crédito, que depende da avaliação do banco.

As revendas identificam dois perfis principais: trabalhadores que querem comprar a primeira moto para iniciar ou ampliar a atividade e profissionais que já usam veículos antigos ou alugados.

“Muitos utilizam motos com alto custo de manutenção ou trabalham com veículos alugados e enxergam no programa a oportunidade de adquirir uma motocicleta própria”, explica Cordeiro.

Beneficiado pelo Move Brasil, Thiago de Souza Nascimento tem como principal fonte de renda o transporte de passageiros por aplicativo, trabalhando pela Uber e 99, além de realizar entregas. A moto de trabalho dele é uma Honda CG 150 Fan ESDi Flex, ano 2014. “Estou aguardando a moto nova, devo receber no prazo de 48 horas”, explica.

“Minha moto já tinha passado da hora de ser trocada. Eu gastava cerca de R$ 300 por mês com manutenção. Agora vou reduzir esse custo e trabalhar com mais conforto. Amei o programa”, afirma.

Entre a inscrição e a compra de uma Honda NXR 160 Bros ABS, passaram-se cerca de dez dias. O modelo custa aproximadamente R$ 25 mil à vista, e Thiago obteve R$ 23.831 em crédito.

“Quase não houve juros, e as parcelas ficaram ótimas: R$ 801 por mês. É um valor tranquilo para pagar”, diz.

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Renovação

Na Yamaha, os modelos mais procurados são Factor 150, Crosser 150 e FZ15. Na Honda, o interesse se concentra em CG 160 Fan, CG 160 Titan, CG 160 Cargo, Bros 160 e Biz 125 EX. Economia de combustível, custo de manutenção, disponibilidade de peças e valor de revenda pesam na escolha de quem depende da moto para gerar renda.

Grande parte dos clientes ainda chega às lojas com dúvidas. Motopema e Motofácil afirmam ter preparado equipes para verificar a elegibilidade, orientar o cadastro e encaminhar o pedido aos bancos das montadoras.

Para Cotrim, o programa pode elevar as vendas da Motofácil entre 10% e 15% nos próximos meses, desde que os critérios de aprovação sejam mantidos e os recursos não se esgotem. Cordeiro avalia que a iniciativa pode estimular a renovação da frota profissional, reduzir gastos com manutenção e melhorar a produtividade.

Os primeiros resultados mostram que o programa conseguiu levar mais interessados às concessionárias. O desafio agora é transformar o aumento da procura em crédito aprovado e motos entregues.

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