Durante a sabatina promovida pela Salvador FM (92.3), nesta terça-feira (25), a candidata a vice-governadora da Bahia pelo PSOL, Meire Reis, participou do programa Ligação Direta, das 18h às 19h. Ela representou a chapa de Ronaldo Mansur, candidato ao governo do estado, que não participou da entrevista.
Ao longo da sabatina, Meire respondeu a questionamentos da bancada, de jornalistas convidados e da população sobre temas como saúde, aborto, educação, desigualdade social, segurança pública, violência policial, cultivo e liberação da cannabis e a Ponte Salvador-Itaparica.
Entre os principais pontos abordados estiveram a ampliação da rede de atenção básica e especializada do SUS, a redução da terceirização na saúde, o atendimento às mulheres que têm direito ao aborto legal, políticas de combate à desigualdade e uma revisão dos impactos previstos para a construção da Ponte Salvador-Itaparica.
Saúde
Questionada sobre os problemas enfrentados pela população na regulação para atendimento de saúde, Meire Reis afirmou que o estado precisa ampliar principalmente a rede de atenção básica e especializada do SUS.
A candidata destacou a importância do Sistema Único de Saúde e afirmou que a estrutura pública vai além do atendimento hospitalar, envolvendo também vacinação, alimentação e vigilância sanitária. Segundo ela, porém, existe um gargalo na oferta de atendimentos especializados, com uma demanda superior à capacidade disponível.
Para enfrentar o problema, Meire defendeu a realização de concursos públicos e a redução da terceirização dos serviços de saúde. Na avaliação da candidata, organizações contratadas para administrar unidades acabam consumindo parte significativa dos recursos que deveriam ser destinados diretamente à população.
“Precisamos de uma rede que de fato se especialize em coisas do cotidiano. Então, a vacina, a saúde básica, os espaços em que você consegue, enfim, resolver os problemas comuns do cotidiano”, destacou.
Meire também argumentou que a falta de estrutura adequada compromete o funcionamento da regulação e pode fazer com que hospitais sejam inaugurados sem contar com todos os elementos necessários para atender à demanda.
Aborto legal
Outro tema abordado durante a entrevista foi o aborto legal. Questionada sobre as propostas do PSOL para mulheres que precisam interromper uma gestação dentro das hipóteses previstas atualmente pela legislação brasileira, Meire afirmou que o principal objetivo seria garantir que os serviços públicos efetivamente realizem os procedimentos previstos em lei.
A candidata citou como exemplo mulheres vítimas de estupro que procuram atendimento no interior da Bahia e encontram dificuldades para acessar o serviço. Para ela, o estado precisa estruturar uma rede capaz de atender essas pacientes em diferentes regiões.
“A primeira coisa que o PSOL, enquanto governo, precisa fazer, é: precisamos efetivamente que os hospitais atendam.”
Meire também criticou o que classificou como uma mudança de mentalidade em relação ao tema e afirmou que profissionais de saúde não podem deixar de atender pacientes por conta de crenças pessoais.
PSOL como alternativa ao PT e à direita
Durante a sabatina, Meire Reis também foi questionada sobre o posicionamento do PSOL no cenário político baiano, diante da disputa entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, e ACM Neto (União Brasil).
A candidata afirmou que o partido se coloca como uma alternativa tanto ao campo representado pela direita quanto ao que classificou como uma transformação do PT após anos no poder.
Na avaliação de Meire, os governos petistas na Bahia teriam se afastado de uma agenda originalmente defendida pela esquerda para estabelecer alianças políticas voltadas à manutenção do poder.
“Nós estamos longe daquilo que representa a direita na Bahia, e a ACM Neto representa isso, estamos longe daquilo que ele congrega, que é a extrema direita, e estamos longe daquilo que o PT se transformou.”
A candidata também criticou o modelo de terceirização de serviços públicos, citando as áreas de saúde e educação, e defendeu que o Estado utilize diretamente a estrutura e os profissionais já existentes na administração pública.
Reparação histórica e combate à desigualdade
A desigualdade social e a necessidade de reparação histórica para povos originários e afrodescendentes também foram discutidas durante a entrevista.
Meire defendeu políticas voltadas à redução da concentração de renda e afirmou que o crescimento econômico, isoladamente, não é suficiente para melhorar as condições de vida da população.
Para a candidata, uma das estratégias seria promover a descentralização dos recursos públicos, levando serviços e investimentos para regiões que ficam afastadas dos grandes centros.
“Então, o que a gente precisa fazer pra de fato melhorar as condições de vida da nossa população? Atacar a desigualdade, reduzir a concentração de renda, concentração de renda de todas as formas”, disse.
Segundo Meire, a descentralização poderia beneficiar populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas, além de moradores das periferias urbanas.
Ela defendeu que áreas como saúde, educação, mobilidade e agricultura recebam investimentos de forma mais distribuída pelo território baiano.
Ponte Salvador-Itaparica
A Ponte Salvador-Itaparica também foi alvo de questionamentos durante a sabatina. Meire afirmou que o PSOL defende uma rediscussão dos impactos do projeto antes da continuidade da obra.
Segundo a candidata, o empreendimento teria sido planejado prioritariamente para facilitar o escoamento da produção e ampliar a produtividade, e não necessariamente para melhorar a mobilidade da população.
“Nós achamos que é fundamental rediscutir os impactos da ponte.”
Meire citou a Ponte Rio-Niterói como exemplo dos impactos que grandes obras de infraestrutura podem provocar nas cidades conectadas. Na avaliação dela, um aumento na circulação de pessoas também pode ampliar demandas por serviços públicos, como saúde, educação e abastecimento de água.
A candidata criticou ainda a falta de discussão, segundo ela, com as comunidades que serão diretamente afetadas pelo projeto.
“Nós temos um problema não com a ponte, mas a forma como ela foi decidida e efetivamente como ela vai ser construída.”
Educação
A educação foi tema de uma pergunta feita pelo jornalista Guilherme Reis, editor de política do jornal Tribuna da Bahia. Ele questionou Meire sobre as principais propostas da chapa para o setor, especialmente no combate à evasão escolar e na valorização dos estudantes.
Na resposta, a candidata afirmou que a educação na Bahia e no Brasil enfrenta problemas que não podem ser medidos apenas pelos indicadores tradicionais.
Meire criticou a forma como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é utilizado e afirmou que existe uma prática de “maquiar” resultados para melhorar indicadores e, consequentemente, ampliar o acesso a recursos.
Segundo ela, é necessário pensar em uma educação que promova o desenvolvimento integral dos estudantes, e não apenas em resultados de português, matemática e fluxo escolar.
Outro problema citado pela candidata foi o avanço das apostas esportivas entre jovens. Meire afirmou ter presenciado situações em que estudantes demonstraram maior interesse pelos jogos de apostas do que pelas atividades escolares.
“Eu preciso pensar uma educação que, de fato, promova o desenvolvimento integral dos indivíduos.”
Para a candidata, a escola também precisa trabalhar para recuperar a perspectiva de futuro dos jovens e evitar que eles abandonem os estudos.
Confira a sabatina com Meire Reis na íntegra: