Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum no mundo
Após ser diagnosticado com câncer, MC Gorila precisou passar por uma cirurgia no intestino. A informação foi divulgada pela equipe do cantor nas redes sociais no último fim de semana, que informou que o procedimento foi realizado com sucesso e que o artista segue em recuperação, acompanhado pela equipe médica e pela família. Diante do caso, o portal LeoDias conversou com um cirurgião oncológico para entender quando a cirurgia é indicada no tratamento dos tumores intestinais e qual a importância do diagnóstico precoce.
Embora não tenham sido divulgados detalhes sobre o tipo de tumor, o estágio da doença ou a conduta médica adotada, o caso chama atenção para um problema de saúde pública. O câncer colorretal, que acomete o cólon e o reto, está entre os tumores mais frequentes no Brasil e, em muitos casos, a cirurgia representa uma etapa fundamental do tratamento.
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MC GorilaFoto: Reprodução

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Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no triênio 2026-2028. Excluindo os tumores de pele não melanoma, a doença corresponde a cerca de 10,4% de todos os diagnósticos de câncer no país, figurando entre os tipos mais incidentes tanto em homens quanto em mulheres.
No cenário mundial, a preocupação também aumenta. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum no mundo e a segunda principal causa de morte pela doença. A entidade também observa crescimento da incidência entre adultos de 30 a 50 anos em alguns países.
Ao portal LeoDias, o cirurgião geral e oncológico Felipe Conde, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, explicou que a cirurgia exerce papel central no tratamento, principalmente quando o tumor está localizado e pode ser removido com segurança.
“A cirurgia é uma das principais ferramentas no tratamento dos tumores intestinais. Em muitos casos, ela permite retirar o tumor e os gânglios próximos com intenção curativa. Em outros, faz parte de uma estratégia combinada com quimioterapia, radioterapia ou outras terapias. Cada decisão depende do tipo de tumor, da localização, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente”, afirma Felipe Conde.
Segundo o especialista, a cirurgia pode ser indicada tanto em fases iniciais quanto em situações mais complexas. Nos tumores de cólon, a retirada da porção comprometida do intestino costuma ser uma etapa essencial. Já nos tumores de reto, o planejamento pode incluir tratamento antes da operação para reduzir o tamanho da lesão e preservar a função intestinal sempre que possível.
“Não existe uma única cirurgia para câncer no intestino. O tratamento é individualizado. Às vezes, a operação é o primeiro passo. Em outros casos, o paciente precisa fazer tratamento antes para aumentar a chance de uma cirurgia mais segura e eficaz. Por isso, avaliação especializada e planejamento multidisciplinar são tão importantes”, destaca.
Felipe Conde também alerta para sintomas que frequentemente são confundidos com problemas comuns do dia a dia. Sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, episódios de diarreia ou prisão de ventre sem causa aparente, dor abdominal recorrente, perda de peso inexplicada, anemia e cansaço excessivo merecem investigação médica.
“O maior erro é normalizar sintomas que persistem. Sangramento nas fezes nunca deve ser tratado como algo banal sem avaliação médica. O diagnóstico precoce muda completamente o cenário. Quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as chances de tratamento com intenção curativa e de uma recuperação melhor”, orienta o cirurgião.
Além da investigação dos sintomas, o especialista ressalta a importância da prevenção e do rastreamento. Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, pólipos intestinais, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo e realizar exames em intervalos específicos.
“A cirurgia evoluiu muito, os tratamentos ficaram mais personalizados e os resultados são melhores quando o paciente chega no momento certo. Mas nada substitui a atenção aos sinais do corpo e a procura por atendimento médico diante de sintomas persistentes”, conclui Conde.