A Refinaria de Mataripe vive uma nova fase quase cinco anos depois de passar ao comando da Acelen. A unidade, que recebeu cerca de R$ 4 bilhões em investimentos desde 2021, aumentou a produção, reduziu o consumo de água e energia e passou a operar com indicadores ambientais melhores, segundo Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação, ESG e Desenvolvimento Territorial da empresa.
Nesta entrevista ao A TARDE, Lyra afirma que a refinaria hoje consegue produzir “mais perto da sua capacidade máxima de forma firme, permanente e contínua” e se prepara para chegar próxima dos 300 mil barris de petróleo por dia. A expansão, porém, dependerá também das condições de mercado e da capacidade de competir em preço, segundo o executivo.
Controlada pelo Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, a Acelen também aposta na diversificação dos negócios, com projetos de energia solar e de produção de querosene de aviação renovável e diesel verde a partir do óleo de macaúba. “Esse óleo que será extraído das macaúbas vai para uma biorrefinaria, que já começou a ser construída”, conta Lyra. Saiba mais na entrevista a seguir.
A Refinaria de Mataripe completou semana passada 76 anos e a Acelen se aproxima de cinco anos à frente da gestão da unidade. O que mudou na refinaria desde que a Acelen assumiu a operação?
A campanha do ano passado traduz muito a nossa percepção da refinaria. O mote da campanha é: Mataripe é outra refinaria. E ela é outra refinaria em todos os aspectos. Vamos começar pelos aspectos de investimento. Vamos completar, nesses quase cinco anos, cerca de R$ 4 bilhões de investimentos. É basicamente R$ 1 bilhão por ano. Investimentos muitos focados em modernização, confiabilidade e em questões ambientais.
A refinaria hoje consegue produzir mais perto da sua capacidade máxima de forma firme, permanente e contínua. E faz isso com todos os indicadores ambientais melhores do que tinha. Para citar um exemplo: nós reduzimos o consumo de água, equivalente ao consumo de uma cidade de 80 mil habitantes. Nós reduzimos o consumo de energia, equivalente ao consumo residencial da cidade de Roraima.

Reduzimos resíduos sólidos dentro da refinaria. Temos uma performance ambiental muito significativa. Aumentamos a água de reúso. Enfim, tem vários indicadores para a gente comprovar isso. Do ponto de vista de produção, ela é uma refinaria que produz mais, melhor e com uma pegada ambiental menor. E, junto com tudo isso, com um custo de produção por barril mais competitivo em relação às referências globais das refinarias.
Em 2025, Mataripe processou cerca de 95 milhões de barris de petróleo, o maior volume desde o início da gestão da Acelen, e alcançou uma média de 280 mil barris por dia. Quais fatores explicam esse desempenho e quais são hoje os principais limites para que a refinaria opere mais próxima de sua capacidade instalada?
A atualização tecnológica da refinaria é feita em paradas de manutenção. E você não consegue parar uma refinaria ou um ativo industrial todo de uma vez. Você vai parando em blocos. Vai parando e atualizando aquele bloco. Nós teremos, no ano que vem, uma parada de manutenção muito significativa. Nessa parada a gente vai gerar entre 4 mil e 5 mil empregos.
Em cada parada dessa, a gente vai deixando a refinaria mais confiável, mais produtiva e mais competitiva. Essas paradas futuras vão fazer com que a refinaria chegue próxima dos 300 mil barris. Agora, operar em 300 mil barris será sempre mais uma definição econômica, do que uma decisão produtiva. A capacidade de produzir ela terá, mas vai oscilar muito em função da nossa capacidade de produzir com preços competitivos e que atinjam o mercado que a gente se propõe atuar, que é o mercado do Nordeste, da Bahia, com a franja ali no norte de Minas e um pouco no Centro-Oeste.
A Refinaria de Mataripe responde por 80% da capacidade de consumo da Bahia e 42% do Nordeste. Como o senhor avalia atualmente o papel da refinaria na segurança do abastecimento regional? Existe espaço para ampliar sua participação no mercado nordestino?
Nosso papel é importante, e a gente entende isso como uma responsabilidade. A gente tem a responsabilidade de abastecer o mercado baiano, e esses números são clara evidência disso. E no Nordeste também: 42% é um percentual também muito significativo. A gente entende que faz parte da nossa missão abastecer esse mercado de forma equilibrada com capacidade de competir, de continuar sobrevivendo, investindo e tornando o ativo sempre um ativo atualizado.
A expansão geográfica vai depender muito da competitividade que a gente consiga ter no nosso preço, no que chamamos de franjas. Uma refinaria é sempre muito competitiva próximo aonde ela produz. À medida que a gente vai abrindo o círculo da produção de cobertura, ela vai ficando menos competitiva em função dos custos logísticos. Expandir geograficamente é sempre mais difícil do que você melhorar a qualidade dos seus produtos ou diversificar o seu portfólio. Nesse momento temos um aumento importante da produção de diesel que está submetido à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) já há três meses e meio.

A planta está pronta para operar e aumentar a sua produção de diesel, mas a gente está aguardando a ANP autorizar essa expansão para começar a produzir. Uma expansão, diga-se de passagem, muito importante nesse momento atual com escassez de diesel global. Seria importante a ANP ter a velocidade adequada para que a gente pudesse fazer essa entrega adicional para a população baiana e para o Brasil.
O preço dos combustíveis na Bahia frequentemente provoca debate entre consumidores, setor produtivo e agentes públicos. Quais fatores determinam o preço dos derivados produzidos pela Refinaria de Mataripe?
A gente tem uma política de preço que tem como referência o preço internacional, a PPI, a paridade de importação, porque o Brasil é estruturalmente importador de diesel e de gasolina. Na nossa referência não tem muita alternativa. Se sair do preço internacional para menos, entro numa linha de prejuízo e inviabilizo o meu ativo. Se saio para mais, entro num nível de baixa competitividade e perco mercado. Da mesma forma, inviabilizo a produção. Eu tenho um mercado regular e tenho que ser competitivo naquele preço que o mercado coloca.
Como a gente é estruturalmente importador, não tem como ser diferente. Não tem como criar uma estrutura de preços brasileiros. Na prática, os preços vão oscilar muito próximo. Mesmo que você use um discurso de que seu preço não está atrelado ao preço internacional, quando vai olhar na prática, ele está. Conosco nós temos um detalhe adicional: nós compramos petróleo a preço internacional e temos que vender combustível. Meu preço de compra de matéria-prima vai subir e descer em função do mercado internacional.
O que ocorreu recentemente, e que na minha opinião foi um acerto do governo, foi a política de subvenção e agora de desoneração tributária da gasolina e do diesel. Eu acho que isso ajuda a reduzir o impacto de uma oscilação muito aguda, como no caso da guerra. Faz com que a curva de crescimento ou de descida seja mais suave. Foi uma medida assertiva do governo. Mas nossa estratégia de preço tem como base o preço internacional, a nossa capacidade produtiva e o nosso mercado. E não temos perdido o mercado. No meu mercado estratégico, eu não perco para os concorrentes. Eu tenho ganhado sempre. Tenho conseguido manter o meu mercado estável e o fornecimento garantido nesse raio de cobertura que a gente comentou. A estratégia é atender o mercado sempre com essa condição de referência de preço internacional.
As refinarias privadas, entre elas a Acelen, têm questionado a diferença entre os preços do petróleo fornecido pela Petrobras às suas próprias unidades e aqueles praticados para outras refinarias. Como você avalia essa questão?
Como esse mercado se divide? 60% do mercado de refino brasileiro é da Petrobras, 20% é refino privado e 20% é importação. Nós temos 14% desses 20% de refino privado, outros seis são as outras refinarias privadas espalhadas pelo Brasil. Quando você tem um player desse tamanho da Petrobras, ele é muito influente no mercado. Primeiro, ele é integrado: tem produção de petróleo e tem refino.
Para que o mercado seja justo e tenha equidade competitiva, o órgão regulador deveria considerar que os preços praticados por esse player, que é influenciador de mercado, na transferência do seu preço de petróleo para as suas refinarias, fossem rigorosamente os mesmos para outras refinarias privadas. Mas, na prática, isso não acontece. No momento que isso acontecer, teremos aí uma justiça, vamos dizer, competitiva, que vai permitir, inclusive, que o refino privado brasileiro cresça com novos investimentos. Não só nosso, mas de outros players que desejem entrar no setor.
Há também especulações recorrentes sobre uma possível recompra da Refinaria de Mataripe pela Petrobras. O que efetivamente existe hoje em relação a esse assunto?
Esse é um assunto do acionista. É o acionista que trata do ativo: qual a estratégia em relação ao ativo, se ele vai ficar, se vai vender e as oportunidades de oferta para esse ativo. Nosso papel é fazer com que a operação rode com a maior competitividade possível, ter taxas de performance eficientes, dentro de qualidade operacional e ambiental, com licença social bem construída, relação com comunidade.
Para que o ativo tenha valor, para que, se esse momento ocorrer, seja valorizado adequadamente. Portanto, quem quer que seja o investidor atual ou futuro, nosso papel é entregar um ativo muito competitivo, para que ele tenha retorno do seu investimento. Agora, eu acho que esse assunto vem surgindo há dois, três anos. Há momentos mais aquecidos, momentos um pouco mais frios. Eu acho que, em algum momento, eventualmente, o investidor vai ter oferta e pode dispor desse ativo para venda no futuro. É uma decisão, novamente, dele, mas não sinto que o momento esteja aquecido o suficiente para dizer que estamos perto disso ocorrer.
A Acelen ampliou o portfólio da Refinaria de Mataripe para mais de 30 produtos. Que estratégia está por trás dessa diversificação e quais novos produtos ou mercados podem fazer parte da expansão da empresa nos próximos anos?
A estratégia é ter um ativo plural, flexível, com capacidade de atender mercados de alto valor agregado. A gente tem essa estratégia essencial de produção. Produção firme e consistente, na maior taxa possível, em mercados que agreguem valor. E tem um detalhe também importante aqui: no craqueamento do petróleo, saem várias coisas obrigatoriamente. E tem alguns produtos que são novos por si só, mas são com volumes pequenos. Tem margem maior, mas com volumes pequenos.
O máximo que a gente puder otimizar esses produtos que tem margem maior, a gente vai tentar fazer. Essa é a primeira estratégia. A segunda é transformar qualquer tipo de resíduo em característica de produto, e não em característica de resíduo. Tem uma turma também que sempre olha resíduo e vê como a gente transforma isso para que gere valor. A estratégia se equilibra nessas duas questões: eficiência operacional e oportunidades de mercado de alto valor agregado.
A Solar Park I passou a suprir 100% da demanda externa de energia elétrica da Refinaria de Mataripe. Qual foi o impacto desse projeto sobre os custos, a eficiência e as emissões da refinaria?
Vou te falar conceitualmente. É um parque solar de investimento significativo. São 161 MW de capacidade e o investimento é de R$ 400 milhões. Portanto, é um investimento significativo. Por que a gente faz isso? Primeiro, a origem da Acelen é criada com o conceito de ser relevante na transição energética brasileira. Esse é o fundamento da criação da Acelen. E qual é a estratégia para atingir esse objetivo?
Colocar um pé na produção de combustível de alto carbono para que, a partir daí, com a solidez de um ativo desse tamanho, possa acelerar o projeto de transição energética. O primeiro passo para conquistar esse propósito é fazer com que a nossa produção de combustível de alto carbono ocorra com a menor pegada de carbono possível. Nesse contexto é que o parque solar entra com um ativo que diminui a pegada de carbono da nossa produção de combustível de alto carbono. E, além disso, trazendo competitividade adicional porque esse investimento, no médio-longo prazo, também significa competitividade na questão energética. A gente tem uma energia de melhor qualidade e com custo melhor. Juntamos aí dois atributos muito positivos.
Falando do outro projeto, a Acelen Renováveis desenvolve um projeto para produzir 1 bilhão de litros anuais de SAF e HVO a partir da macaúba. Em que estágio está hoje esse projeto, quais são as próximas etapas e qual é o cronograma previsto para o início da operação da biorrefinaria?
É um projeto de 3 bilhões de dólares de investimento, que vai produzir um bilhão de litros de SAF, que é o querosene de aviação renovável, ou o diesel verde, que é um diesel de origem renovável. Não é biodiesel. Biodiesel é um aditivo. O diesel verde é uma molécula igual ao diesel fóssil e substitui plenamente o diesel fóssil. E essa biorrefinaria é flexível, como um carro flex. Você pode obter a quantidade que quiser de álcool e de gasolina, e misturar os dois.
Essa refinaria é isso também. Ela pode produzir a quantidade que a gente quiser de SAF e de HVO, qualquer percentual entre os dois está valendo. E é um projeto integrado à agricultura. A gente produz a matéria-prima – o feedstock dessa produção de combustíveis é a macaúba. É uma palmeira presente na América do Sul, e que tem alta produtividade de óleo por hectare. Portanto, nós precisamos de área agrícola para plantar, colher, esmagar, retirar o óleo e transformar esse óleo em combustível.
É um processo de cadeia produtiva longa, o que traz alguns benefícios do ponto de vista econômico. São 3 bilhões de dólares de investimento. Mas o efeito econômico desse investimento em 10 anos é de 40 bilhões de dólares exatamente pelo fato de ser uma cadeia longa. Além disso, como estamos falando novamente de cadeia longa da agricultura até o combustível, com uma geração, entre diretos e indiretos, de 85 mil empregos ao longo desses 10 anos. Então, é um projeto de dimensão razoável, grande, e que já começou a ser implantado. Não é mais ideia, não está só no papel, a gente já está em fase de implantação.
Nós implantamos, primeiro, um centro tecnológico, o Agripark, em Montes Claros, onde a gente tem toda a capacidade de genética e inovação em macaúba. Além disso, uma escala de produção de mudas que vai habitar esses 144 mil hectares de terra que são necessários para serem plantados com macaúba. É uma área também gigantesca. Esse foi o primeiro investimento de concreto realizado pela Acelen.
Começamos a fazer aquisição dessas fazendas ainda no início. Já temos fazenda na região de Cachoeira, em Terra Nova, todas no Recôncavo baiano, por enquanto. Nós vamos ter cinco núcleos produtivos, de 40 a 50 mil hectares, distribuídos entre o Recôncavo baiano e o norte de Minas. Em cada núcleo desse tem uma pequena central industrial que faz o esmagamento dos frutos e retira o óleo.
Nós começamos o investimento nas fazendas. Esse óleo que será retirado das macaúbas vai para uma biorrefinaria. Essa biorrefinaria também já começou a ser construída. Ela fica ao lado da Refinaria de Mataripe, num terreno que já era nosso. Já fizemos toda a parte de supressão vegetal, já estamos na finalização da terraplanagem. A partir do ano que vem a gente começa a construção da biorrefinaria prevista para ser inaugurada entre abril e maio de 2029.
Além da macaúba, a Acelen pesquisa ou avalia outras matérias-primas para a produção desses combustíveis?
Sim, até porque tem uma condição prévia. A macaúba é uma árvore que demora para começar a produzir. Ela começa a produzir ali em dois anos e meio, três anos, e alcança a maturidade produtiva dela aos sete anos. A gente não tem hoje 144 mil hectares. Nós estamos fazendo um processo de aquisição de acesso à terra. Até o momento em que teremos 100% da planta rodando com macaúba, outros óleos vão entrar e serão misturados para produzir o biocombustível no final.
Essa biorrefinaria é uma refinaria convencional com unidade de pré-tratamento que aceita qualquer óleo: gordura animal, óleo de soja, óleo de milho, canola, carinata, macaúba. Tudo que vier, a gente vai processar, retirar o óleo vegetal nessa unidade de pré-tratamento e transformar no óleo que será convertido no diesel ou em SAF. A gente vai comprar muitos outros óleos antes da macaúba começar a produzir. E a gente também avalia outras fontes de óleo vegetal que podem ir nesse período intercalando e sendo utilizado conjuntamente com a macaúba. A macaúba será o destino final. O que a gente quer terq1 no final das contas é 100% macaúba. Mas nada impede que nesse meio de caminho, a gente tenha algum desenvolvimento em carinata, em canola. Também teremos utilização de óleos já consagrados, como óleo de soja.
Quando essa biorrefinaria estiver operando com sua capacidade produtiva total, quanto os biocombustíveis representarão da produção da Acelen?
Esse projeto é grandioso, tem escala global. Talvez seja o maior projeto de SAF do Hemisfério Sul. Dado o tamanho do mercado de biocombustíveis, é um projeto que tem potencial de escalar muitas vezes. Aliás, o próprio fundo já fala que esse é o primeiro módulo de um total de cinco que ele quer fazer no Brasil. Ele já fala em fazer cinco módulos desse.
Esse projeto é equivalente a uma refinaria de 20 mil barris de diesel por dia. Considerando que a gente processa 300 mil barris e que, mais ou menos, 30% é diesel, a gente está falando de processar 80, 90 mil barris de diesel. Então, se a gente fosse produzir só diesel verde, eu estou falando de 20 em relação a 80. Ou seja, um quarto do que a Refinaria de Mataripe representa. A Refinaria de Mataripe é grande, é a segunda maior do país. Mas ainda assim, dá para ter uma dimensão do potencial de crescimento da produção de biocombustíveis para o futuro.
O setor petroquímico baiano vive um momento de transformação. Como o senhor, que tem grande experiência nessa área, avalia esse cenário, as mudanças e os possíveis impactos da recuperação extrajudicial da Braskem sobre novos investimentos e a modernização do Polo de Camaçari?
A indústria petroquímica e a de óleo e gás são indústrias globais. É uma competição global, então o Brasil tem que estar preparado para competir globalmente, não tem muita alternativa. A Braskem é uma referência no setor petroquímico. Está entre as maiores petroquímicas do mundo, conquistou isso baseado na sua competência e infelizmente vive esse momento de estresse econômico.
A gente espera muito que ela supere essa etapa e continue representando o que ela representa para a indústria petroquímica brasileira e para a competitividade brasileira no mundo. Em especial para o Polo Industrial de Camaçari, onde ela é uma das âncoras principais. Nesse momento acho que é natural os momentos de reconfigurar os modelos operacionais. Mas acredito que desse processo de estresse pode sair uma empresa mais preparada para competir globalmente. A gente espera que isso seja refletido no Polo de Camaçari, trazendo competitividade e também uma reinvenção para os próximos 30, 40 anos.
O mercado internacional de energia vive um período de incertezas, marcado por guerras, mudanças geopolíticas, novas políticas nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, pela pressão para reduzir as emissões de carbono. Como o senhor avalia o futuro do petróleo nesse cenário?
Muita gente fala em transição energética. Eu vejo muito não só a transição, mas com mais ênfase a adição energética. O mundo precisa muito do combustível de alto carbono e vai continuar precisando desse combustível por muitos anos conforme a gente vê claramente nesses estresses de oferta e demanda que a guerra promove.
Mas vejo também que o crescimento da competitividade dos biocombustíveis e mercados está avançando na regulação e no incentivo à produção de biocombustíveis. Como o mundo precisa de muita energia e vai precisar ainda mais com a inteligência artificial, os data centers e o próprio crescimento econômico dessas economias em desenvolvimento que requerem consumo de energia crescente.
Então, toda essa demanda energética que vem no futuro tende a ser atendida através da energia de baixo carbono. É uma transição que tem grande característica de adição energética. O petróleo será relevante ainda durante muitos anos. O que quanto essa adição vai se transformar em transição vai depender muito de como o mundo vai caminhar na sua necessidade de consumo e como o ambiente regulatório global vai definir a competitividade das energias renováveis.
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Marcelo Lyra é vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação, ESG e Desenvolvimento Territorial da Acelen. Atua há 30 anos nos setores petroquímico, de mídia e comunicação e em holdings de atuação multissetorial. Foi vice-presidente e diretor de empresas nacionais e multinacionais nas áreas de relações institucionais, sustentabilidade, comunicação e negócios. É formado em Engenharia Eletrônica, com ênfase em Telecomunicações, e tem pós-graduação em General Management pela Harvard Business School. Possui experiência em gestão de crise e reputação corporativa, construção de marcas, posicionamento institucional, competitividade setorial e ambientes regulatórios.