O apresentador passará por um procedimento cirúrgico nesta terça-feira (20/10)
Carlos Alberto de Nóbrega está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e deve passar por um procedimento cirúrgico nesta terça-feira (20/10) para colocar um marcapasso cardíaco. O procedimento foi necessário após uma infecção viral que evoluiu para uma miocardite. Para entender a condição que afetou o apresentador do SBT, a reportagem do portal LeoDias entrevistou um especialista no caso. Confira!
Fábio Kanamaru, médico cardiologista intervencionista explicou se é comum o vírus Coxsackie B provocar miocardite, como foi o caso do artista. “A lesão do músculo cardíaco pode ocorrer por 2 mecanismos: ação direta do vírus ou pela resposta inflamatória causada pela infecção viral. O espectro inclui desde infecção assintomática ou leve até miocardite, disfunção ventricular, arritmias e, raramente, choque cardiogenico. A inflamação do músculo cardíaco é uma complicação reconhecida, mas não é o desfecho habitual de uma infecção por Coxsackie é considerada incomum ou raramente clínica”, disse.
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Carlos Alberto de NóbregaCrédito: Reprodução Instagram @drarenatadenobrega

Carlos Alberto de Nóbrega fala sobre o carinho que tem pelo programa de TV “A Praça é Nossa”Reprodução: Portal LeoDias

Carlos Alberto de Nóbrega, entrevista para o Portal LeoDiasReprodução/Portal LeoDias

O humorista Carlos Alberto de NóbregaReprodução/LeoDiasTV

Carlos Alberto de Nóbrega é internado em SPFoto/Instagram
O especialista contou que o diagnóstico da condição exige integração clínica e exames. Além disso, a miocardite pode preocupar mais os pacientes que já convivem com doença cardíaca. “Uma reserva miocárdica já reduzida torna o paciente mais vulnerável à perda adicional de contratilidade, mesmo que a inflamação não seja extensa. Miocardite pode reduzir a função cardíaca; pode causar bloqueios de condução e arritmias, reduzindo ainda mais o débito cardíaco (capacidade de bombeamento de sangue para o corpo). Infecção sistêmica, febre, alterações de volume e maior demanda metabólica também podem descompensar uma insuficiência cardíaca preexistente, sem que isso seja realmente miocardite.”
Fábio ainda destacou os sinais apresentados em problemas cardíacos: “Fadiga, intolerância ao esforço e indisposição podem ocorrer na insuficiência cardíaca por baixo débito (função cardíaca reduzida) e congestão (retenção de líquidos no corpo) porém, menos especificamente, na miocardite. Cansaço para atividades simples e habituais, falta de ar quando se permanece deitado, inchaço (principalmente das pernas), palpitações, dor torácica ou síncope (desmaios) aumentam a preocupação, mas sua ausência não exclui doença. São manifestações inespecíficas e podem ser atribuídas ao envelhecimento, descondicionamento, anemia, distúrbios do sono, infecção, medicamentos ou outras doenças. A idade, por si só, não explica sintomas novos, persistentes ou progressivos”, falou.
Ele orientou como distinguir cansaço comum de uma condição delicada no coração. “Fadiga estável, proporcional à atividade e que melhora com repouso pode ser inespecífica. É mais preocupante se for nova, progressiva, desproporcional ou limitante, se surgir em tarefas antes habituais, ocorrer em repouso ou vier com dispneia, ortopneia, edema, ganho rápido de peso, palpitações, dor torácica, tontura ou síncope. Em pacientes idosos ou com insuficiência cardíaca, não se deve atribuir mudança funcional automaticamente à idade, faz-se necessário uma avaliação clínica detalhada pois, a hipótese de miocardite exige investigação apropriada, e fadiga isolada não a diagnostica. Sintoma súbito/intenso, falta de ar em repouso, dor torácica ou síncope requer atendimento emergencial pois podem ser decorrentes de outros problemas cardíacos potencialmente mais perigosos.”
O médico contou como funciona a colocação do marca-passo, que será colocado por Carlos Alberto. “A indicação costuma ocorrer quando há bradicardia sintomática ou bloqueio AV avançado, especialmente se persistente, com síncope, instabilidade ou risco de assistolia (parada cardíaca). Em notícias sobre Carlos Alberto foram mencionadas bradicardia e arritmias, mas não há dados públicos suficientes para afirmar qual ritmo, grau de bloqueio ou critério justificaria a indicação no caso concreto; a cirurgia foi adiada para reavaliação, segundo relatos”, pontuou.
“O marcapasso detecta a atividade elétrica espontânea e, se a frequência cai abaixo de um limite programado ou a condução falha, envia impulsos elétricos por eletrodos conectados diretamente no músculo cardíaco para estimular o coração. Isso previne pausas e mantém frequência adequada, podendo melhorar sintomas atribuíveis à bradicardia. Não trata diretamente a inflamação, não reverte necessariamente a causa da insuficiência cardíaca nem previne todas as arritmias — por exemplo, taquicardia ventricular pode requerer outra estratégia. A escolha do tipo de dispositivo (unicameral, bicameral ou ressincronizador, associado ou não a um CDI) depende da análise do caso clínico realizado pelo especialista”, destacou.
O procedimento é feito sob anestesia local e sedação variável, e o marcapasso pode ser temporário. “Na miocardite com distúrbio de condução potencialmente reversível, pode-se usar estimulação temporária enquanto se trata a causa e se observa a evolução. Se o bloqueio avançado persistir ou houver risco de saúde elevado sem suporte, considera-se o implante do dispositivo permanente. A decisão exige monitorização e avaliação seriada; não há prazo único aplicável a todos. A condução pode melhorar quando a inflamação resolve, mas a recuperação não é garantida e pode não acompanhar a recuperação da função de bombeamento. Fibrose ou lesão do sistema de condução podem deixar bloqueio residual. A estimulação temporária serve de tratamento provisório quando a chance de reversibilidade ainda está em análise, mas seu uso prolongado também traz riscos; a necessidade de implante definitivo é individualizada.”
Por fim, Fábio Kanamaru alertou sobre os riscos: “Após infecção viral, dor ou pressão torácica, falta de ar nova ou progressiva, palpitações sustentadas, síncope/pré-síncope, queda importante da tolerância ao esforço, inchaços ou piora abrupta da fadiga justificam avaliação médica rápida, sobretudo em quem já tem cardiopatia. Miocardite pode se manifestar com dor tipo infarto, com insuficiência cardíaca ou com arritmias; sintomas inespecíficos não permitem descartá-la. Procure um serviço de saúde de urgência diante de dor torácica intensa/persistente, falta de ar em repouso, desmaio, confusão mental, cianose (coloração azulada ou arroxeada da pele, dos lábios, da língua ou das unhas, que ocorre devido à baixa oxigenação do sangue), palidez/sudorese fria, palpitações acompanhadas de tontura ou sinais de choque”, concluiu.