O Manchester City foi considerado culpado por uma comissão independente da Premier League por 114 violações das regras financeiras cometidas entre as temporadas 2009/10 e 2017/18. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (29), após um processo que se estendeu por anos. O clube inglês nega as irregularidades e já anunciou que pretende recorrer.
Entre as conclusões da comissão estão acusações de que o City teria utilizado contratos comerciais para alterar artificialmente seus registros financeiros. Segundo a decisão, parte dos valores atribuídos a patrocinadores teria sido financiada pelo Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG), então proprietário do clube.
Comissão aponta manipulação de receitas e despesas
De acordo com o documento, os mecanismos utilizados teriam permitido ao Manchester City registrar receitas superiores às consideradas efetivamente obtidas e, ao mesmo tempo, apresentar despesas operacionais abaixo dos valores reais.
Ademais, a comissão concluiu que o clube forneceu informações financeiras incorretas e não teria apresentado de forma adequada sua situação a auditores e órgãos responsáveis pela fiscalização. Um contrato relacionado à empresa Fordham, que adquiriu direitos de imagem de jogadores, também foi citado no processo.
De acordo com a Premier League, o impacto financeiro acumulado dos mecanismos identificados ultrapassaria 900 milhões de euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 6,22 bilhões. A saber, a liga afirma que, sem esses registros, o clube teria excedido de forma significativa os limites financeiros estabelecidos pela própria competição e pela Uefa.
A investigação também apontou que o Manchester City violou três das quatro acusações relacionadas à falta de cooperação com o processo conduzido pela Premier League.
Punição ainda será definida
Apesar da conclusão sobre as infrações, a comissão ainda não determinou qual será a punição ao clube. A definição das sanções será tratada em uma etapa separada do processo, que permanecerá sob sigilo até que sua divulgação seja autorizada conforme as regras da Premier League.
Entre as medidas previstas no regulamento estão multas, perda de pontos, exclusão da competição e outras penalidades esportivas. O Manchester City tem até sexta-feira (2) para apresentar recurso contra as conclusões divulgadas nesta terça.
Em comunicado, o clube afirmou estar “desapontado e surpreso” com o resultado e voltou a negar todas as acusações. A equipe também declarou possuir provas que, de acordo com sua avaliação, sustentam sua defesa e afirmou que pretende recorrer por considerar que a decisão contém erros de direito, princípio e fato.
O caso começou a ser investigado pela Premier League em dezembro de 2018. As acusações foram encaminhadas formalmente a uma comissão independente em fevereiro de 2023. A audiência durou 42 dias e foi encerrada em dezembro de 2024.
Desse modo, a Premier League classificou o processo disciplinar como o mais significativo de sua história. Ainda serão cumpridas as etapas referentes às sanções e aos recursos apresentados pelo Manchester City.