• Home
  • Artigos
  • Mãe relata morte de brasileiro na guerra entre Ucrânia e Rússia e pede resgate do corpo

Mãe relata morte de brasileiro na guerra entre Ucrânia e Rússia e pede resgate do corpo

A família do maranhense Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, aguarda a confirmação oficial da morte do jovem, que, segundo relatos de colegas, teria sido morto durante um confronto na guerra entre Ucrânia e Rússia. Natural de Açailândia, na Região Tocantina do Maranhão, ele estaria atuando como voluntário nas forças ucranianas desde março deste ano e teria morrido na última sexta-feira, 31.

A informação foi divulgada pela mãe do jovem, Diana Silva, em uma transmissão nas redes sociais realizada no domingo, 2. Conforme o relato, brasileiros que combatiam ao lado de Mateus comunicaram a família sobre o ocorrido. Até a publicação desta reportagem, o Ministério das Relações Exteriores ainda não havia confirmado oficialmente a morte.

Tudo sobre Mundo em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

“Eu só fiquei sabendo porque um colega teve a compaixão de me comunicar”, afirmou Diana.

Corpo segue em área de combate

De acordo com a mãe, o corpo do filho permanece em uma área de combate considerada de alto risco e controlada por forças inimigas, o que impede, até o momento, o resgate pelos militares. Segundo ela, somente após a retirada do corpo até uma base militar será possível confirmar oficialmente a morte e emitir a certidão de óbito.

“Estou de mãos atadas. Estou contando somente com a solidariedade dos amigos e dos companheiros de batalha dele para que possam resgatar o corpo do meu filho”, declarou.

Enquanto aguarda a recuperação do corpo, Diana também busca orientações sobre os procedimentos necessários para um eventual traslado ao Brasil. No entanto, após conversar com pessoas que acompanharam casos semelhantes, ela passou a considerar a possibilidade financeiramente inviável.

“Trazer o corpo para o Brasil é praticamente impossível. É muito caro. Muito caro mesmo”, afirmou.

Caso o traslado não seja possível, uma das alternativas discutidas é o sepultamento de Mateus em um cemitério militar na Ucrânia.

“No Cemitério dos Heróis, onde são enterrados os soldados mortos na guerra, pelo menos haverá esse reconhecimento. Mas isso não tira o reconhecimento que ele já tem aqui. Meu filho é um herói. Lembrem-se dele como um herói. A mãe do herói está aqui. Eu sou a mãe do herói”, declarou.

Voluntário desde março

Segundo Diana, Mateus decidiu se voluntariar para integrar as forças ucranianas em 26 de março. Em entrevista ao g1, ela contou que o filho aceitou a proposta após receber a promessa de uma bonificação de recrutamento, além de um salário considerado atrativo durante um contrato de seis meses. Ao chegar ao país, porém, a realidade teria sido diferente da expectativa.

Ainda conforme o relato da mãe, o jovem passou por cerca de quatro meses de treinamento e permanecia em período de experiência quando foi enviado para uma área de combate.

“Eu não imaginava que, enquanto ele ainda estava no período de experiência, já o colocariam na linha de frente. Como colocam um menino novo na linha de frente? Como fazem isso com uma pessoa que teve apenas quatro meses de treinamento?”, declarou Diana.

Leia Também:

Ela afirmou ainda que restavam aproximadamente dois meses para o encerramento do contrato e que a família esperava pelo retorno de Mateus ao Brasil.

“Eu estava aguardando tanto o meu filho. Faltavam apenas dois meses para ele encerrar o contrato”, disse.

Despedida nas redes sociais

Nas conversas mantidas com os familiares, Mateus evitava comentar sobre os riscos enfrentados no conflito. Segundo a mãe, o jovem preferia falar sobre a rotina e sobre os planos para quando voltasse ao país.

“Meu filho me poupava de muitas notícias ruins. Quando falava comigo, era apenas sobre a nossa vida e o nosso cotidiano. Eu não tinha noção da realidade”, afirmou.

Antes de receber a confirmação da morte, Diana contou que passou a desconfiar de que algo havia acontecido após perceber que sua conta no WhatsApp havia sido bloqueada sem explicação. Como ela era o principal contato familiar indicado pelo filho, a situação chamou sua atenção.

“Quando derrubaram o meu WhatsApp, senti algo ruim no coração. Pensei que aquilo tivesse alguma relação com o que estava acontecendo”, afirmou.

Outro momento que aumentou a preocupação ocorreu quando ela viu, nas redes sociais, fotografias de Mateus publicadas por um amigo do jovem no sábado, um dia após a data em que ele teria morrido.

“Quando vi os stories de um amigo dele, vi várias fotos do meu filho e desconfiei. Esse amigo não falou nada. Ele estava se despedindo do meu filho por meio das fotos”, relatou.

A notícia chegou oficialmente à família na manhã de domingo, quando um dos colegas de Mateus entrou em contato com uma das irmãs dele, já que a conta de WhatsApp da mãe permanecia bloqueada.

“Quando a pessoa perguntou se ela era a Vitória e começou a falar, eu já sabia. Eu disse: ‘Aconteceu, Senhor. Senhor, aconteceu’”, contou.

Segundo Diana, até aquele momento nenhuma comunicação oficial havia sido feita pelo Exército da Ucrânia.

Alerta para outros brasileiros

Durante a transmissão nas redes sociais, a mãe também fez um alerta para brasileiros que cogitam viajar para participar da guerra.

‘Então, fica o alerta para qualquer outra pessoa que esteja pensando em ir para lá: não vá. Lidar com esse luto não é fácil. O consulado não faz nada. Eles não fazem nada”, afirmou.

‘Mãe nenhuma deveria passar pelo que estou passando. Eu não desejo essa dor para ninguém. Não sabia que passaria por essa dor tão cedo. Nenhuma mãe quer enterrar um filho.Eu não sabia, gente, que passaria por isso. Nunca esperava receber essa ligação”.

Ao lembrar do filho, Diana afirmou que sempre admirou a coragem e a determinação dele, ressaltando que Mateus abriu mão da convivência com a família para seguir a missão que acreditava.

“Eu só podia admirá-lo. Eu só admirava o meu filho. Não o impedi, porque ele era homem, e eu admirava a sua coragem. Eu admirava o fato de o meu filho, tão jovem, ter assumido essa missão. Esse era o meu conforto: admirar a coragem dele. Mas eu não tinha noção de que ele passaria por isso. Meu filho era um menino muito bom e muito corajoso. Ele abdicou do conforto, da família e dos planos para lutar por outro país. Eu esperava que ele voltasse”, declarou.



VEJA MAIS

Repórter elogiado por Casimiro na CazéTV deixa a Globo após 26 anos

O jornalista esportivo Abner Luiz pediu demissão da TV Liberal, afiliada da Globo no Pará,…

onde assistir, horário e itens leiloados

O Instituto Projeto Neymar Jr. realiza nesta segunda-feira (3), a partir das 19h30, a sexta…

SSP desmente boatos sobre mudança no nome do bairro Dois de Julho

A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) negou, nesta segunda-feira (3), a informação de…