O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (14) para a França, onde participará da Cúpula do G7, em Évian-les-Bains. Apesar da presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no evento, o governo brasileiro não trabalha com a expectativa de uma reunião bilateral entre os dois líderes.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que não há necessidade de solicitar um novo encontro neste momento, já que Lula e Trump estiveram reunidos recentemente na Casa Branca. Com isso, a possibilidade de uma agenda formal entre os presidentes durante a cúpula é considerada remota.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que um encontro estruturado, como o realizado na Malásia em outubro de 2025, está praticamente fora de cogitação. Por outro lado, não se descarta uma conversa rápida e informal, caso ambos se encontrem durante as atividades do evento, em cenário semelhante ao ocorrido na Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado.
A relação entre Brasília e Washington atravessa um momento de desgaste desde a visita de Lula aos Estados Unidos. Entre os pontos de atrito estão a decisão do governo norte-americano de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e as ameaças de aplicação de tarifas contra produtos brasileiros.
Mesmo sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula deve aproveitar os discursos na cúpula para defender o multilateralismo e fazer críticas a medidas consideradas protecionistas e unilaterais. A estratégia do governo é evitar referências explícitas ao tarifaço norte-americano durante o encontro, embora diplomatas brasileiros afirmem que a posição do Brasil ficará clara nos pronunciamentos do presidente.
A avaliação de integrantes do Itamaraty é de que um fórum multilateral como o G7 não é o espaço mais adequado para embates diretos entre chefes de Estado, razão pela qual o discurso de Lula deverá adotar um tom mais diplomático do que o utilizado em agendas internas no Brasil.