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Lula reage a plano dos EUA de taxar o Brasil e critica oposição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom ontem ao reagir publicamente à conclusão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão governamental americano propôs a criação de um “tarifaço” de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, sob a alegação de que o país adota práticas comerciais “desleais”.

Durante o discurso, o petista rebateu as pressões de Washington e aproveitou para criticar o posicionamento de opositores, citando nominalmente declarações passadas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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“No dia que o Trump taxou o Brasil, olha o que ele twittou: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo’”, criticou o presidente.

A retórica presidencial inflamou as redes sociais. Parlamentares e aliados do governo reiteraram o mote “o Pix é do Brasil” e passaram a acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, de incentivar as sanções econômicas americanas.

Na semana passada, Flávio reuniu-se com Donald Trump na Casa Branca, dias antes de Washington classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.

Sistema de pagamentos

O cerne do relatório norte-americano baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A Casa Branca elenca seis áreas prioritárias de atrito com o Brasil: comércio digital, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e serviços de pagamento — onde se concentra a maior polêmica.

O documento do USTR ataca frontalmente o Pix, alegando que o sistema de pagamento instantâneo cria vantagens competitivas desproporcionais contra empresas privadas estrangeiras. De acordo com os EUA, o caráter estatal e centralizado da ferramenta discrimina fornecedores americanos ao conceder maior visibilidade e limites de tarifas ao sistema nacional.

Apesar de reconhecer o impacto positivo do Pix na inclusão financeira da população e na redução de custos comerciais, o relatório sustenta que é “injusto exigir que concorrentes ofereçam vantagens ao Pix”.

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Calendário e audiências

A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação de Donald Trump, e o prazo legal para a aplicação das sanções expira no próximo dia 15 de julho. Um grupo de trabalho bilateral tentou negociar um consenso em maio, mas as conversas estagnaram.

Antes da palavra final, que vai caber exclusivamente ao presidente dos EUA, as propostas passarão por uma fase de audiências públicas. A primeira sessão de debates está agendada para o próximo dia 6 de julho.

Nem todos os setores da economia brasileira vão ser afetados pelo eventual imposto de 25%. O relatório final dos EUA inclui um anexo de 73 páginas detalhando os produtos que estarão isentos da nova tarifa.

Resposta política

Ministros do governo Lula se reuniram na manhã desta terça-feira, 2, no Palácio do Planalto, para definir a reação brasileira à sobretaxa de 25% anunciada pelos Estados Unidos. De acordo com apuração do Metrópoles, o encontro serve para formatar uma nota oficial de resposta à Casa Branca, que deve adotar um forte tom político.

Participam do debate o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria e Comércio). A cúpula do governo avalia que a barreira alfandegária tem motivação estritamente política, e não comercial.

O principal argumento do Planalto é que as justificativas de Washington não mudaram desde o ano passado, quando as investigações foram abertas, ignorando todos os esclarecimentos técnicos já enviados pelo Brasil.

A medida é um desdobramento da investigação da “Seção 301” promovida pelos EUA contra práticas comerciais de mais de 70 países. No entanto, o Brasil foi o único a ter a conclusão anunciada nesta semana.

Apesar do revés, o governo brasileiro pretende manter os canais de diálogo abertos com a gestão de Donald Trump na tentativa de reverter ou suavizar os impactos até o dia 15 de julho, prazo final para o encerramento das negociações.



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