Lideranças comunitárias de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, cobram respostas da Prefeitura de Salvador diante dos impactos provocados pela contaminação ambiental registrada na praia. Segundo documento divulgado pelo Projeto Rizoma – Conexões Comunitárias por Justiça Climática e Racial, mais de 800 famílias foram afetadas direta ou indiretamente pela situação.
Os primeiros registros ocorreram em fevereiro deste ano, quando moradores identificaram um líquido azul-esverdeado surgindo na areia da praia. Também foram relatadas mortes de animais marinhos, como siris e tartarugas.
Praia segue imprópria
Investigações do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) identificaram concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais, principalmente cobre, em áreas próximas ao ponto de contaminação. Desde então, a região permanece considerada imprópria para banho, pesca e recreação.
A restrição afetou principalmente pescadores, marisqueiras, comerciantes e outros trabalhadores que dependem das atividades desenvolvidas na região.
Em abril, a Prefeitura de Salvador entregou cestas básicas a 626 famílias como medida emergencial. Para as organizações comunitárias, porém, a ação não foi suficiente diante dos impactos econômicos provocados pela interrupção das atividades.
Entidade cobra assistência
Em junho, o município publicou o Decreto nº 41.834, que reconheceu situação de emergência ambiental em São Tomé de Paripe. As lideranças afirmam, entretanto, que as famílias continuam aguardando medidas de assistência e reparação.
O caso também é acompanhado pelo Ministério Público Federal, que instaurou inquérito civil para apurar as responsabilidades pela contaminação, os danos ambientais e os impactos provocados na comunidade.
“São Tomé de Paripe não enfrenta apenas um desastre ambiental. Estamos diante de uma violação de direitos que compromete o trabalho, a renda, a cultura e os modos de vida das comunidades tradicionais do Subúrbio Ferroviário”, afirmou Camila França, diretora do Instituto Commbne.
As entidades cobram da Prefeitura medidas de assistência às famílias afetadas, além da articulação com o Governo Federal para obtenção de recursos destinados à recuperação da área. Também defendem a responsabilização e fiscalização das empresas apontadas como relacionadas à atividade na região.