
A decisão que manteve presos os seis homens suspeitos de se passarem por policiais em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), revela novos detalhes sobre a investigação. Para a Justiça, o grupo não agia apenas armado, mas apresentava características semelhantes às de uma milícia, utilizando equipamentos policiais para intimidar moradores e realizar abordagens ilegais.
Na audiência de custódia, o juiz converteu as prisões em flagrante em preventivas ao entender que a liberdade dos investigados representaria risco à ordem pública.
Justiça destaca estrutura organizada
Na decisão, o magistrado afirma que o material apreendido reforça a suspeita de que o grupo atuava de forma organizada.
Com os investigados, foram encontrados cinco armas de fogo, incluindo uma pistola calibre .40 de uso restrito, mais de 100 munições, carregadores, colete balístico, algemas, coldres, cassetete retrátil, cinturões táticos e distintivos semelhantes aos utilizados por policiais civis.
Para o juiz, esse conjunto demonstra uma estrutura que ia além da posse de armas e indicava uma atuação coordenada.
Simulação de policiais preocupa
Outro ponto destacado na decisão é a utilização de distintivos e equipamentos para aparentar serem agentes de segurança pública.
Segundo o magistrado, grupos que utilizam a imagem do Estado para intimidar a população representam um risco ainda maior do que a criminalidade comum, porque comprometem a confiança da sociedade nas instituições policiais.
A decisão ressalta que esse tipo de prática exige resposta firme do Poder Judiciário.
Medo na comunidade
O juiz também cita que a atuação do grupo teria provocado temor entre moradores de Portão.
Segundo a decisão, há risco de que, em liberdade, os investigados possam voltar a agir de forma semelhante ou até intimidar testemunhas e vítimas do caso.
Por esse motivo, a Justiça entendeu que medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica ou comparecimento periódico à Justiça, seriam insuficientes.
Defesa alegou regularidade das armas
Durante a audiência de custódia, a defesa argumentou que parte dos investigados possuía registro como Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e que algumas armas estavam regularizadas.
O argumento, no entanto, não convenceu a Justiça.
Na decisão, o magistrado destacou que possuir registro não autoriza o uso ostensivo de armamento em via pública, especialmente em uma ação realizada por um grupo armado que, segundo a investigação, simulava ser formado por policiais civis.
Investigação continua
Os seis suspeitos seguem presos preventivamente e são investigados por tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e por integrar um grupo que, segundo a Polícia Civil, agia como uma falsa força policial.
A investigação continua para esclarecer a motivação da ação e verificar se o grupo participou de outras ocorrências semelhantes na Região Metropolitana de Salvador.