A Justiça Eleitoral do Amazonas negou um pedido para custear transporte fluvial, água e alimentação de indígenas de 43 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari durante o segundo turno das eleições. A solicitação foi apresentada pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).
A juíza Dálethe Borges Messias, da 42ª Zona Eleitoral, reconheceu a importância de garantir o voto dos povos indígenas em condições de igualdade. No entanto, argumentou que o pedido foi apresentado fora do prazo necessário para organizar a logística e que a Justiça Eleitoral não dispõe de recursos para arcar com as despesas.
Abstenção preocupa lideranças indígenas
De acordo com a Univaja, nas eleições anteriores houve articulação com a Justiça Eleitoral para viabilizar o deslocamento dos eleitores. Neste ano, porém, a parceria não se repetiu.
A entidade estima que a abstenção entre os indígenas tenha ficado entre 30% e 35% no primeiro turno. A organização também manifestou preocupação com a decisão e defendeu que o poder público assegure condições para o exercício do direito ao voto.
Vale do Javari abriga mais de 6 mil indígenas
Localizada no Amazonas, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, a Terra Indígena Vale do Javari tem cerca de 8,5 milhões de hectares e é a segunda maior do país. A região reúne 74 aldeias, sete povos e mais de 6 mil indígenas, além de concentrar o maior número de povos indígenas isolados do mundo.
O território também enfrenta ameaças como narcotráfico, garimpo ilegal, biopirataria e extração clandestina de madeira. Em 2022, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados na região, após uma emboscada no rio Itaquaí.