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Justiça da Bahia absolve acusado de matar três mulheres em Ilhéus por falta de provas

Um perfil genético masculino que nunca foi identificado, encontrado em uma peça junto aos corpos de três mulheres assassinadas em Ilhéus, no sul da Bahia, segue sem dono, enquanto o único réu do caso deixou de responder por elas. Thierry Lima da Silva foi absolvido pela 1ª Vara Criminal da comarca, em sentença assinada em 8 de outubro, depois de a magistrada concluir que o processo não reunia base suficiente para condená-lo.

O que a sentença determina

A absolvição se apoia no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, aplicado quando as provas não bastam para uma condenação. Com isso, a prisão preventiva referente a esse processo foi revogada, Entretanto, Thierry segue preso por responder a outra ação, pela morte do companheiro, Lucas.

A decisão também foi enviada ao Ministério Público e à Polícia Civil, para que avaliem se as investigações sobre a autoria dos assassinatos devem continuar.

Por que as provas da acusação não se sustentaram

A sentença examinou os principais elementos apresentados contra o réu e os considerou frágeis.

Sobre a confissão atribuída a ele na fase de investigação, a decisão apontou que parte do que teria sido dito ocorreu em conversas informais com policiais, sem registro formal nem gravação. O interrogatório feito na delegacia foi aceito como elemento de informação, mas, de acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça mencionado no texto, isso não permite, sozinho, fundamentar uma condenação. Diante da juíza, Thierry negou ter confessado.

Quanto ao reconhecimento fotográfico, feito pela testemunha Rogério Souza Lago, a decisão o declarou inválido. Antes de ir à delegacia, a testemunha já havia visto uma foto do suspeito divulgada pela imprensa. Na delegacia, foram mostradas apenas imagens de Thierry, sem outras pessoas para comparação. O procedimento descumpriu regras do Código de Processo Penal e de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça.

A perícia também não confirmou informações atribuídas ao acusado. Um material queimado encontrado no Morro de Pernambuco, indicado pela acusação como possível roupa usada após os crimes, não tinha sangue nem DNA. Além disso, o processo não contava com imagens do crime, arma, material genético que ligasse o réu às vítimas ou testemunha que o tivesse visto no local.

Para a magistrada, havia elementos que levantavam suspeitas sobre Thierry, mas eles não formavam um conjunto de provas capaz de sustentar uma condenação.

O crime

As vítimas foram Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41 anos, sua filha Mariana Bastos da Silva, de 20, e Alexsandra Oliveira Suzart, de 45. As três saíram para caminhar na praia no fim da tarde de 15 de agosto de 2025 e não voltaram para casa. No dia seguinte, os corpos foram encontrados em uma área de mata nos fundos da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), na Praia dos Milionários. Os exames indicaram que elas foram mortas a golpes de arma branca.

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Graduado em jornalismo pela Universidade Salvador (Unifacs), com experiências em produções textuais e audiovisuais. Soteropolitano,…