Trinta e nove pessoas foram resgatadas durante uma operação da Polícia Civil em uma clínica de reabilitação localizada em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, na quarta-feira (22). O estabelecimento era investigado desde dezembro de 2025 por suspeitas de homicídios, tortura, maus-tratos e funcionamento irregular.
Em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (23), o delegado Marcos Laranjeira, titular da 20ª Delegacia Territorial de Candeias, revelou que o proprietário da clínica, identificado como Moisés de Jesus Leal, seria integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Segundo as investigações, a ligação do dono da clínica com a organização criminosa influenciava diretamente o tratamento dado aos internos. De acordo com depoimentos colhidos pela polícia, pacientes identificados como integrantes do Bonde do Maluco (BDM), facção rival do CV na Bahia, eram submetidos a sessões de tortura ainda mais violentas.
“Segundo depoimento de um interno, o Moisés participava da facção criminosa Comando Vermelho. Quando chegava um interno vinculado ao BDM, ele era bem mais maltratado em termos de tortura”, afirmou o delegado.
As investigações também apontam que a clínica era utilizada para armazenar armamentos de uso restrito. Conforme a Polícia Civil, no local foram encontradas armas como uma submetralhadora e pistolas semiautomáticas, que estariam sob a responsabilidade do proprietário e do gerente da unidade.
“Existiam armas de fogo lá dentro, como uma submetralhadora e pistolas semiautomáticas, cuja posse ficava em mãos do Moisés e do gerente”, acrescentou Laranjeira.
A clínica Terra Santa Videira, que prestava atendimento a pessoas com dependência química e assistência psicossocial, funcionava de forma clandestina e foi interditada durante a operação. O gerente do estabelecimento, identificado como Charles Vinícius, foi preso em flagrante.
Homicídios investigados
A Polícia Civil também investiga pelo menos dois homicídios ocorridos dentro da clínica.
Segundo o delegado, a vítima mais recente foi Iago, que teve o corpo carbonizado. As investigações indicam que ele era amigo de Geovane, outro interno que teria sido queimado vivo dentro da unidade e morreu cinco dias depois em decorrência das queimaduras.
Para a polícia, Iago teria sido assassinado para impedir que revelasse informações sobre o primeiro crime.
“Iago foi a última vítima de homicídio e teve o corpo carbonizado. As investigações apontam que ele era muito amigo de Geovane, que foi queimado propositalmente dentro da clínica e faleceu cinco dias depois. Iago foi executado como uma espécie de queima de arquivo. Existem outras pessoas desaparecidas, mas ainda não constatamos que elas estejam mortas”, concluiu o delegado.