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indústria baiana aponta alta de preços e falta de insumos

A recente tarifa de até 37,5% dos Estados Unidos aos produtos brasileiros e o retorno da guerra no Oriente Médio tem provocado altas de preço e falta de insumos para a indústria de químicos na Bahia.

Representantes dos setores de saneantes, cosméticos e tintas estimaram, durante lançamento do Expotech 2026, um aumento no preço de insumos que podem chegar a até 100%.

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A alta do petróleo foi a maior preocupação do setor de saneantes e tintas, grandes dependentes do petróleo para a confecção de plásticos das embalagens dos produtos. Com o retorno dos conflitos entre o Irã e os Estados Unidos, o preço do petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril em julho de 2026

De acordo com Donato Cuozzo, diretor financeiro do Saneantes da Bahia, com a instabilidade no preço da matéria-prima, o setor já registrou alta de 100% no preço dos custos de matérias-primas.

“Essas matérias-primas, como o açofônico, que é uma das grandes matérias-primas da nossa área, também tem um reflexo muito grande no preço. Então, assim, quando isso acontece, a gente tem dificuldades, às vezes redução significativa de margem, de repassar esses custos para o consumidor. No caso das embalagens e matérias-primas, no primeiro momento em que houve o aumento, nós tivemos um aumento de 100% dos custos dessas matérias-primas. Quando se tem aumento no preço do petróleo, isso reflete imediatamente no custo das resinas e de algumas matérias-primas e, consequentemente, nos nossos custos de produção”, explicou ele.

O setor de tintas na Bahia anunciou que perdeu margem e espaço no mercado com a falta de insumo de matérias-primas e que precisou ampliar os estoques para mais seis meses em caso de possibilidade de desabastecimento.

Para Arlene Vilpert, representante do setor de tintas na Bahia, outras questões comerciais intensificaram as tensões econômicas no setor, o que ela considera o mais desafiador em anos.

“Esse é o momento de acomodação em que nós estamos realinhando preços novamente. E o mais impactante é que as grandes empresas, pelo alto poder de negociação, acabaram não repassando o aumento no mercado, o que achatou muito a indústria do Nordeste com esse fato. Além disso, a compra da Suvinil pela Sherwin Williams criou-se como um monopólio no mercado e as estratégias terão que ser muito mais fortes agora no segundo semestre”, explicou ele.

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Ela explica que apesar dos desafios, ainda assim é uma oportunidade ao setor da Bahia, uma vez que o mercado de aproximação torna-se mais vantajoso diante dos altos custos de logísticas do setor de tintas.

“Nós acabamos tendo competitividade em função da proximidade. E isso é um viés que o mercado está cada vez entendendo que vale a pena dar oportunidade às empresas próximas, às empresas do seu estado, já que é uma questão de qualidade, é uma questão de padrão”, continuou ela.

Nesta sexta-feira, 24, as medidas tarifárias dos EUA entraram em vigor. Apesar do efeito de até 37,5% para alguns produtos brasileiros, inclusive produtos químicos, o setor de saneantes avalia que os EUA ainda segue tendo uma menor participação na parceria comercial e que não terá tantos impactos econômicos para o estado.

“Para a indústria de cosméticos da Bahia, o impacto é menor porque nós temos poucas indústrias exportando para os Estados Unidos. A economia baiana representa 4% da economia nacional. O cosmético não fica atrás, é 4% também da indústria nacional. O mais importante é o efeito reverso da situação: o produto americano sempre foi taxado no Brasil”, explica Raul Menezes, presidente do Sindcosmetics Bahia.

Expotech: uma oportunidade para a indústria baiana

Entre os dias 27 e 28 de julho, o SENAI Cimatec vai realizar o Expotech 2026, um encontro entre os principais agentes do mercado de tecnologia e inovação para apresentar tendências e soluções para o mercado da indústria.

A expectativa é de que os dois dias recebam 2 mil visitantes, uma alta de 10% em comparação com a edição anterior. Para Juan Rosário Lorenzo, diretor da feira, entre as novidades estão a ampliação da área de exposição, um espaço exclusivo para equipamentos industriais.

“Essas novidades reforçam o propósito da Expotech de aproximar a indústria, especialmente as micro, pequenas e médias empresas, dos principais fornecedores e das tecnologias mais avançadas do mercado”, explicou ele.

Imagem ilustrativa da imagem Guerra e tarifaço: indústria baiana aponta alta de preços e falta de insumos
Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

Ele reforça que a organização também pretende ampliar o alcance do evento: “Inicialmente a feira tinha como foco Bahia e Sergipe. Agora estamos expandindo para todo o Nordeste, em um trabalho planejado para os próximos cinco anos, com o objetivo de consolidar a Expotech como o principal encontro da indústria de saneantes, cosméticos e tintas da região”, continuou ele.

Para o presidente da Federação de Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, a feira tem um papel preponderante na entrega de resultados para a indústria baiana, uma vez que possibilita uma relação de negócios entre fornecedores e indústrias.

“São eventos como estes que permitem as empresas se modernizarem e acompanharem o que a tecnologia está trazendo e que pode ser incorporada para materializar esse tema, Industrializar de uma forma mais real”, disse ele.

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Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE



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