Durante entrevista ao programa Toda Hora, da Salvador FM, o candidato ao Senado pela Unidade Popular (UP), Gregório Gould, defendeu, a mudança no modelo de segurança pública adotado no Brasil. Segundo ele, o aumento da letalidade policial é acompanhado pelo crescimento das facções criminosas e demonstra, na avaliação dele, que a atual estratégia não tem conseguido combater o crime organizado.
Gould afirmou durante a sabatina que a política adotada acaba atingindo principalmente moradores das periferias e das favelas.
Para o candidato, o enfrentamento às facções deveria priorizar a investigação, o controle das fronteiras e o combate às estruturas econômicas que financiam o tráfico de drogas. Gould questionou a estratégia de concentrar as ações policiais nas comunidades e afirmou que armas e drogas utilizadas pelas organizações criminosas chegam de outras regiões. “Não é o nosso povo que tem que sofrer”, declarou.
Ele também defendeu o uso da inteligência policial para investigar a relação entre grupos criminosos e setores do sistema financeiro.
Gould também se posicionou a favor da desmilitarização da Polícia Militar. Segundo ele, a medida não significaria o fim do policiamento ostensivo, mas a transformação das corporações em instituições civis. O candidato defendeu ainda uma polícia comunitária, com maior proximidade com os moradores. Na avaliação dele, o caráter militar das instituições contribui para uma estrutura pouco democrática internamente e para uma formação baseada na lógica de combate a um “inimigo”.
Durante a entrevista, o candidato também criticou o que classificou como caráter de classe da segurança pública. Ele afirmou que a polícia atua de maneira diferente em áreas de maior renda e nas periferias de Salvador. Como exemplo, citou a diferença entre a atuação policial no Corredor da Vitória e no Nordeste de Amaralina. Gould ressaltou ainda que a crítica ao modelo não deve ser confundida com uma responsabilização individual dos policiais, destacando que existem bons profissionais dentro das corporações.
Ao final, Gregório Gould afirmou que a proposta da Unidade Popular é mudar o foco da política de segurança para atingir as estruturas do tráfico, em vez de concentrar a repressão sobre as comunidades pobres. Segundo ele, é necessário combater o crime organizado sem transformar a população das periferias em alvo das ações policiais.
“A Unidade Popular defende que a gente comece no Brasil a combater o tráfico de drogas e pare de combater a favela e o povo pobre”, afirmou.