A Nike prepara uma nova rodada de cortes de empregos enquanto tenta recuperar o ritmo de crescimento da empresa. A gigante norte-americana também prevê uma queda acentuada na receita no ano fiscal de 2027, em meio às dificuldades enfrentadas principalmente no mercado chinês.
A companhia divulgou as novas projeções na quinta-feira, 1, junto com mudanças na estrutura de seus negócios. A previsão fez as ações da Nike recuarem 8,5% no pregão estendido.
Vendas na China despencam
Um dos principais obstáculos para a empresa está na China. No primeiro trimestre, as vendas no país tiveram queda de 26% em moeda constante.
O resultado reforçou a avaliação de que a recuperação da Nike deve continuar difícil pelos próximos trimestres. A empresa vem tentando mudar a estratégia comercial sob o comando do presidente-executivo Elliott Hill, com maior atenção a modalidades esportivas específicas, como a corrida.
A companhia também busca reconstruir relações com varejistas atacadistas e recuperar espaço no mercado.
Apesar dos esforços, analistas apontam a dificuldade da Nike em colocar no mercado uma quantidade suficiente de produtos novos capazes de atrair os consumidores.
Com menos novidades, a empresa passou a recorrer mais a promoções e descontos para movimentar as vendas.
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Empresa vai reduzir postos de trabalho
Como parte da nova etapa de reestruturação, a Nike também anunciou alterações no modelo de funcionamento da companhia.
A operação global, que atualmente é dividida em quatro regiões, passará a ser organizada em três: Américas; Ásia-Pacífico e Grande China; e EMEA, que reúne Europa, Oriente Médio e África.
A empresa confirmou que haverá redução de pessoal, mas ainda não informou quantos cargos serão eliminados.
As notificações aos funcionários estão previstas para começar em 2027.
Reestruturação deve gerar economia bilionária
A nova iniciativa dá continuidade a outras medidas de redução de custos adotadas pela Nike, incluindo uma rodada de demissões anunciada no início deste ano.
Segundo a companhia, o programa deve proporcionar uma economia de aproximadamente US$ 2,5 bilhões até o ano fiscal de 2031.
A maior parte desse valor, porém, deve ser alcançada apenas nos anos fiscais de 2029 e 2030.
Receita deve cair em 2027
Além dos cortes, a Nike apresentou uma previsão negativa para o desempenho financeiro.
A empresa espera que a receita registre uma queda na faixa dos dígitos únicos altos no ano fiscal de 2027.
A projeção ficou abaixo das expectativas do mercado. Segundo dados compilados pela LSEG, analistas estimavam, em média, uma redução de aproximadamente 2% na receita anual.
O resultado do primeiro trimestre também ficou abaixo do esperado pelos analistas, aumentando a pressão sobre a estratégia adotada pela companhia para retomar o crescimento.