A Justiça da Bahia converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante de Charles Vinicius Souza da Silva Almeida, gerente da clínica de reabilitação Terra Santa, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador., investigada por maus-tratos contra interns.
A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta sexta-feira, 24. Na decisão, o juiz homologou a prisão em flagrante e decretou a prisão preventiva ao entender que estão presentes os requisitos legais para a manutenção da custódia.
Além disso, o magistrado determinou que a 20ª Delegacia Territorial de Candeias instaure um inquérito policial para investigaro dono da clínica, Moisés de Jesus Leal, citado no processo, e ordenou o afastamento dele da direção e administração da Clínica de Reabilitação Terra Santa pelo prazo de 60 dias.
O processo tramita sob segredo de Justiça. Por esse motivo, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) informou que não prestará esclarecimentos adicionais sobre o caso.
Prisão do gerente
Charles foi preso na última quarta-feira, 22, durante uma operação da Polícia Civil que resgatou 39 internos e identificou indícios de cárcere privado, maus-tratos e tortura na unidade.
Na operação realizada pela Polícia Civil, 39 pacientes foram resgatados após denúncias de:
- tortura;
- espancamentos;
- trabalhos forçados;
- uso irregular de medicamentos;
- cárcere privado e outras violações de direitos humanos.
Investigação
A clínica de reabilitação passou a ser investigada após dois casos de repercussão. O primeiro envolve o interno Geovane Santana Lopes, de 31 anos, que sofreu graves queimaduras na unidade em dezembro de 2025 e morreu em 4 de maio de 2026. A família contesta a versão da defesa de que o jovem teria ateado fogo ao próprio corpo e relata ter sofrido negligência.
Quatro dias após a morte de Geovane, o monitor da clínica Iago Marques Formiga, de 33 anos, desapareceu. O corpo do funcionário foi localizado no dia 19 de maio de 2026, carbonizado e com perfurações de arma de fogo na BA-530, em Camaçari. Parentes das vítimas suspeitam de relação entre os casos, enquanto a defesa da instituição classifica os fatos como uma “coincidência infeliz”.
O caso é apurado pela 20ª Delegacia Territorial (DT/Candeias), enquanto a morte do monitor é investigada pela 4ª Delegacia de Homicídios (DH/Camaçari).
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