Aberto oficialmente nesta sexta-feira, 31 de julho, o Gamepólitan 2026 reuniu milhares de pessoas no Parque de Exposições de Salvador ao longo do dia. De volta à capital baiana após seis anos, o evento deve receber cerca de 20 mil visitantes até domingo, 2 de agosto.
Segundo Silvani Nery, produtora do evento, o primeiro dia foi pensado para atender, sobretudo, estudantes da rede pública, fora a abertura oficial do evento.
“A gente teve a visita de 2 mil estudantes, [sendo] 1.500 de escolas públicas e 500 de escolas municipais, além de diversas caravanas de pessoas que chegaram mais cedo e já foram”, iniciou ela. “E também a nossa cerimônia de abertura e alguns lançamentos. Então é uma sexta-feira de retomada e de comecinho, mas sábado e domingo vai estar bombando”, garantiu a produtora.
Considerado o maior evento de jogos da Bahia, o Gamepólitan 2026 reúne entusiastas, desenvolvedores, criadores de conteúdo, estudantes e empresas do setor em uma programação que inclui competições, exposições, palestras e rodadas de negócios.

Importância regional
Silvani Nery também destaca que a realização do evento em Salvador reforça a capital baiana como um polo de inovação no Brasil, descentralizando os investimentos e a produção cultural no país.
“Trazer um evento como esse para Salvador é muito importante porque se a gente deixa sempre a inovação para um polo do Brasil, a gente concentra a riqueza e concentra a oportunidade. A gente não retém talento em nosso município e a gente não faz também com que aqui também seja um polo de inovação”, declarou.
“Então a gente precisa primeiro romper essas barreiras para se perceber e se enxergar também como processo de economia criativa e de inovação”, acrescentou.
Quem também participou da cerimônia de abertura do Gamepólitan foi a deputada estadual Olivia Santana (PCdoB), que corroborou a visão de Silvani e ressaltou a importância do evento para a economia do estado:
“É importante para a Bahia, é importante para a Região Nordeste do país. Nós temos um povo extremamente criativo, culturalmente rico, e isso tudo pode, sim, ajudar a dinamizar ainda mais e catapultar a indústria criativa dos games no nosso estado, no nosso país”.
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Seis anos de hiato
Outro ponto explicado por Silvani Nery foi a ausência do evento na capital baiana por seis anos, dado que a última edição do Gamepólitan foi realizada em 2020. De acordo com ela, a pandemia de Covid-19 impactou diretamente nesse processo de retomada.
“Em 2020 a gente teve a pandemia, que acaba afetando todo o setor de eventos, e para o Gamepólitan não foi diferente”, contou a produtora.
Ela ainda citou o Anipólitan, evento focado no mundo geek, que também é organizado por eles. Segundo Silvani, o atraso na retomada do Gamepólitan se deveu também ao foco dado ao outro festival.
“A gente organiza mais um outro grande festival aqui no estado, que é o Anipólitan, que existe já há 23 anos, e na ocasião, em 2023, a gente fez a celebração dos 20 anos. Então a gente optou por esse processo de retomada, por todo o histórico, celebrar esses 20 anos do Anipólitan”, conta ela.
A produtora explica que o retorno do Gamepólitan somente em 2026 foi baseado em questões logísticas, de forma a evitar uma “retomada tímida”:
“A gente precisava que as leis de incentivos e os patrocinadores estivessem junto com a gente, então ao invés de fazer uma retomada mais tímida, a gente preferiu aguardar um pouco mais, robustecer. Então a gente teve o tempo de dar maturidade ao Gamepólitan, ao ecossistema como um todo”.

O que fazer no Gamepólitan
Nesta sexta-feira, quem veio ao Parque de Exposições pode assistir apresentações musicais, exibição de animações, workshops e debates sobre desenvolvimento de jogos, inteligência artificial e indústria criativa.
Confira o que aconteceu no primeiro dia do Gamepólitan:
- Painel sobre comunidades virtuais e desenvolvimento de jogos, às 10h30;
- Workshop sobre golpes com Inteligência Artificial, às 10h30;
- Debate sobre regionalização da dublagem em games e animação, às 12h;
- Painel sobre o futuro do fomento ao audiovisual e aos games na Bahia, às 12h;
- Painel do Sebrae voltado para empresas criativas, às 15h;
- Cerimônia oficial de abertura do Gamepólitan, às 18h;
- Discussão sobre o Marco Legal dos Games, às 19h.
Além das atividades, também é possível comprar diversos produtos temáticos do mundo geek no evento. Segundo o comerciante Carlos Sanomia, dono do estande Shigueo San, a expectativa é positiva para as vendas nos três dias de evento, de forma que ele veio preparado para todos os públicos.
“A gente vem bem preparado, com muita coisa, muita coisa gótica, muita coisa de anime, muita coisa desse mundo oriental. Então, a gente tem leques, todos os tipos de leques, cosplays, sombrinha japonesa… Então a gente está preparado tanto para festivais japoneses, quanto segmentados, que nem esse que é de games”, disse ele.
Entre os visitantes, o designer Gustavo Teixeira, de 22 anos, afirmou que planejava vir ao evento somente nesta sexta-feira, mas se animou com as atividades e vai marcar presença nos outros dias. Ele foi ao evento a caráter, caracterizado como Solaire de Astora, personagem do jogo Dark Souls
“Eu pensei em vir só hoje, mas como o evento ‘tá’ muito legal, eu quero repetir a dose”, disse.

Gustavo também afirmou que vai se endividar durante o Gamepólitan. “Se sair daqui e não tiver uma dívida, não veio aqui direito. Então a meta é comprar tudo que eu puder, depois a gente resolve”, brincou.