Questionado sobre a negociação de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recorreu a ataques à TV Globo durante a sabatina realizada nesta sexta-feira, 16. Em vez de detalhar a diferença entre o valor negociado e o custo declarado da produção, o parlamentar direcionou a resposta a negócios da emissora com empresas ligadas ao ex-banqueiro.
A questão central é objetiva: por que foram solicitados R$ 134 milhões para um filme cujo custo declarado foi de R$ 75 milhões? A diferença de R$ 59 milhões exige esclarecimentos sobre o valor efetivamente negociado, os recursos que chegaram a ser transferidos e a destinação do dinheiro.
Ao responder sobre o assunto, Flávio afirmou que o contrato não foi cumprido e que os recursos aportados por Vorcaro, somados aos de outros investidores, permitiram concluir a produção. O candidato, porém, não detalhou os valores envolvidos na negociação nem explicou a diferença entre o montante solicitado e o custo informado.
“Era um contrato que não foi cumprido e, com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme. Simples assim, uma relação privada, um dinheiro totalmente ilícito, como era o dinheiro também aqui na Globo.”
Na sequência, o senador voltou suas críticas à emissora e citou supostos pagamentos ao programa de Luciano Huck para publicidade de um banco ligado a Vorcaro. Também mencionou um diretor da Globo que, segundo ele, teria sido exonerado após promover eventos financiados pelo empresário.
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“A Globo, o programa do Luciano Huck recebeu mais de 100 milhões de reais, 160 milhões de reais, se não me engano, para fazer uma propaganda do banco do Vorcaro. E o que tem de errado nisso? Nada. Um diretor da Globo acabou de ser exonerado porque ele promovia eventos bancados pelo Vorcaro, do Valor Econômico, lá em Nova Iorque. Tem uma coisa de errado? Eu acho que não, mas ele feriu a ética, o código de ética da empresa e sofreu as consequências. Então, na minha parte, não tem nada.”
A estratégia de resposta deslocou o foco da negociação envolvendo o filme para as relações comerciais da emissora. As alegações feitas por Flávio sobre a Globo, contudo, não esclarecem por que o financiamento teria chegado a R$ 134 milhões, diante de um custo declarado de R$ 75 milhões.
Diferença de valores segue no centro do caso
A negociação com Vorcaro ganhou atenção após a divulgação de mensagens e áudios sobre o financiamento de Dark Horse, produção que retrata Jair Bolsonaro. O montante de R$ 134 milhões atribuído às tratativas contrasta com os R$ 75 milhões apontados como gastos com o filme.
Na sabatina, Flávio defendeu a natureza privada da relação e comparou o caso a negócios envolvendo a Globo. A pergunta sobre a diferença entre os valores, entretanto, permaneceu sem detalhamento na resposta apresentada pelo candidato.