Mais de 2 mil mensagens violentas em um único fim de semana reacendem cobrança por responsabilização de plataformas no Reino Unido
O futebol inglês voltou ao centro de uma discussão sobre racismo e responsabilidade digital após um fim de semana classificado como “terrível” por entidades do setor. Pelo menos quatro atletas da Premier League foram alvo de ofensas racistas nas redes sociais, em meio a um volume de mais de 2.000 mensagens violentas direcionadas a técnicos e jogadores das principais ligas masculina e feminina.
A repercussão ganhou força após o zagueiro Wesley Fofana, do Chelsea, expor publicamente as mensagens recebidas. Em sua conta no Instagram, ele escreveu: “Estamos em 2026 e continua a mesma coisa, nada muda”. O defensor compartilhou centenas de publicações racistas recebidas depois do empate em 1 a 1 com o Burnley Football Club, partida na qual foi expulso. Entre os ataques, o jogador foi comparado a “um macaco” que deveria estar “em um zoológico”.
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Thomaz Partey atua pelo Arsenal na Premier LeagueReprodução/Instagram: @thomaspartey5

Thomaz Partey atua pelo Arsenal na Premier LeagueReprodução/Instagram: @thomaspartey5

David CooteDavid Coote/Reprodução/Premier League
No mesmo fim de semana, também relataram ofensas o tunisiano Hannibal Mejbri, do Burnley, o inglês Romaine Mundle, do Sunderland A.F.C., e o nigeriano Tolu Arokodare, do Wolverhampton.. Após desperdiçar um pênalti na derrota para o Crystal Palace F.C., Arokodare reagiu: “Chega!”. Em outra declaração, afirmou ser “inacreditável” que haja pessoas com “tanta liberdade para expressar racismo dessa forma, sem quaisquer consequências”.
O Wolverhampton informou estar “cheio” da situação e declarou que apoia o atleta “firmemente, assim como todos os jogadores de futebol obrigados a suportar esse abuso de contas anônimas que agem com aparente impunidade”.
A organização Kick It Out, principal entidade antidiscriminação do futebol inglês, também se pronunciou. “Este fim de semana foi terrível (…)”, afirmou, acrescentando que “mas a triste realidade é que sabemos que isso acontece com frequência”.
Uma investigação da BBC apontou que, em um único fim de semana de novembro passado, mais de 2.000 mensagens particularmente violentas foram publicadas nas redes sociais contra profissionais da Premier League e da Women’s Super League, incluindo ameaças de morte e estupro.
Questionada pela emissora britânica, a treinadora do Chelsea, Sonia Bompastor, afirmou que as plataformas “não estão fazendo seu trabalho, não estão assumindo responsabilidade nem cumprindo suas obrigações”. No mesmo dia, o clube anunciou parceria entre sua equipe feminina e o grupo Signify, cuja ferramenta Threat Matrix rastreia contas responsáveis por abusos virtuais.
O Arsenal Football Club, que utiliza o serviço há cinco anos, informou ter proibido cerca de 30 torcedores de frequentar o estádio entre 2021 e 2025 por casos de racismo, homofobia e ameaças de morte, segundo dados compilados pela AFP.
Em fevereiro de 2025, foi criada uma força-tarefa com participação da Premier League, da agência reguladora Ofcom, do sindicato dos jogadores e da unidade policial responsável pelo futebol no país, a UK Football Policing Unit. Nesta segunda-feira (23/2), a UKFPU informou que investiga os episódios recentes e declarou que, “nos últimos meses”, decisões judiciais resultaram em “significativas proibições de entrada em estádios”, mas reconheceu que “ainda há muito a ser feito”.
O porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que “O racismo que esses jogadores de futebol estão sofrendo é repugnante” e pediu que as plataformas reforcem seus mecanismos de controle.
A Meta Platforms, controladora de Facebook e Instagram, declarou que “continuará trabalhando para proteger as pessoas de abusos”. Em nota à BBC, um porta-voz disse: “Ninguém deve ser exposto a insultos racistas, e removemos esse conteúdo quando o encontramos”. A empresa acrescentou que seguirá “trabalhando para proteger nossa comunidade de abusos e cooperando com as investigações policiais”, mas não detalhou à AFP como pretende implementar novas medidas.