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Filhos herdam cacau sustentável e fomentam nova geração no agro baiano

Grávida de 5 meses, Sirlane de Jesus Santos já sabe qual a maior herança que deixará para a sua filha. É a mesma que os seus pais deixaram para a jovem: a cacauicultura.

Natural de Wenceslau Guimarães, no sul da Bahia, a produtora de 27 anos conta que o sonho inicial de seus pais era de que ela saísse do campo e conseguisse outras oportunidades na cidade – um entendimento de que a roça não dariam os frutos necessários para o futuro de Sirlane.

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“Essa cultura de incentivar a sair do campo é muito forte dos pais, e comigo não foi diferente”, relata a jovem.

Campo como oportunidade

Filha mais nova dos quatro filhos dos meus pais, aos 14 anos, Sirlane ingressou na escola técnica agrícola na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves, no baixo sul da Bahia e começou a entender que o mundo de possibilidades, na verdade, estava no campo.

“Fui incentivada a cuidar do campo. O curso nos mostrou que é possível ter uma renda maior e uma maior qualidade de vida no campo. Isso me fez querer ter áreas próprias, querer crescer em minhas áreas, querer tecnificar as minhas áreas. Transformar a propriedade em uma empresa rural”, continuou Sirlane.

Sirlane de Jesus Santos, 27 anos
Sirlane de Jesus Santos, 27 anos – Foto: Divulgação | Nestlé

Apesar de Sirlane ter nascido na terra na banana, foi na produção de cacau sustentável que a sua família encontrou a oportunidade de potencializar as suas produções e renda. Além de ter orgulho da renda que consegue tirar da cacauicultura, o fruto permite incentivar a história e a cultura do produtor.

“Foi o cacau que nos criou, que nos formou e que nos permitiu estar aqui hoje. O cacau hoje para nós é muito mais importante do que só uma cultura, é a nossa herança, é a nossa história”, finaliza ela.

A propriedade da família da produtora faz o cultivo do cacau em sistema de cabruca – método agroflorestal tradicional em que os pés de cacau são plantados sob a sombra das grandes árvores nativas da Mata Atlântica. Além disso, ela investe em áreas cultivadas em pleno sol, de áreas clonadas, áreas de renovação e áreas consorciadas com banana da prata.

Além do cacau comum, Sirlane conta com a produção de outras variedades de clonados, entre elas:

  • PS1319
  • CCN51
  • BN34
  • CEPEC 2204.
  • SJ 02

Sucessão familiar e o futuro do cacau

São essas novas espécies as responsáveis por aumentar a produção durante a safra do cacau e ampliar a resistência do commoditie contra doenças e pragas. O pontapé para que a técnica agrícola ampliasse essa visão dentro do campo contou com a apoio e assistência técnica do Cocoa Plan, um programa global da Nestlé voltado para a cadeia produtiva do cacau, focado em boas práticas agrícolas, melhor qualidade de vida e cacau de qualidade.

A iniciativa permitiu que cerca de 6,5 mil produtores sustentáveis se conectassem a moageiras – indústrias responsáveis por transformar a amêndoa em derivados -, e consequentemente à Nestlé para a produção de chocolates, achocolatados e derivados do cacau. São empresas como Cargill, Barry Callebaut e Olam Food Ingredients (OFI) responsáveis por intermediar a venda e compra dos produtos.

Filhos herdam produções de cacau
Filhos herdam produções de cacau – Foto: SIDNEY OLIVEIRA / Divulgação

Além disso, o programa permite a realização de outros projetos com maiores impactos socioambientais. Diversos estudantes, produtores rurais e filhos de agricultores, de 18 a 29 anos, são imersos ao “Cacauicultores do Futuro”, um projeto da Nestlé junto a Ampliê, capacitando os jovens com as habilidades e o conhecimento necessários para continuar o legado de sucesso da indústria do cacau no Brasil.

““Os Cacauicultores do Futuro” é um programa pensado em sucessão familiar. A nossa expectativa é incentivar esses jovens e mostrar para eles que ficar na propriedade cacau da família ou trabalhar em uma propriedade cacau é algo interessante do ponto de vista econômico, do ponto de vista social, mostrar que é possível ter tecnologia, produtividade e consequentemente, uma vida digna e rentável, sempre com sustentabilidade”, explica Igor Mota, gerente de Agricultura da Nestlé.

Igor Mota, gerente de Agricultura da Nestlé
Igor Mota, gerente de Agricultura da Nestlé – Foto: Divulgação | Nestlé

Na 7ª edição, os jovens passaram por capacitação na Bahia e puderam aprender sobre cultivo e cuidado com o solo, métodos de plantio e práticas sustentáveis na cacauicultura. Além disso, o projeto incentiva a continuidade da indústria do cacau principalmente para jovens e filhos do campo.

Cacaueicultores do Futuro, programa da Nestlé
Cacaueicultores do Futuro, programa da Nestlé – Foto: Divulgação | Nestlé

Êxodo urbano na Bahia

É o que também pensa Tábito Araújo, de 18 anos. Apesar da pouca idade, o conhecimento técnico e agrícola do jovem foi um dos pontapés para que o futuro da cacauicultura continuasse na família, nascida em Ituberá, no baixo sul da Bahia.

Neto e filho de produtores rurais, o jovem se diverte em meio aos relatos com a família no campo. Como uma aula repleta de conhecimento técnico sobre a cacauicultura, ele recorda de quando seu pai não ouviu uma orientação enxerto da planta para ampliar a produção e acabou tomando um prejuízo.

“Tá vendo? Eu avisei”, riu o jovem.

A propriedade familiar de Tábito tem 6 hectares, cuja 3.8 da área é própria para o cultivo do cacau. São 3.600 plantas com grande variedade de cacau enxertado e clonado. Ele hoje critica o êxodo rural, principalmente pelos jovens.

“Eu não gostava de roça. Achava que era castigo, até entrar na Casa Familiar Rural, que mudou minha visão e me mostrou que se a gente não planta, a cidade não janta. Nós jovens, temos que priorizar o estudo nessa área técnica. Então minha visão do futuro é essa: se a gente não se atentar a cuidar de nossas áreas agora, infelizmente, não vai ter um futuro certo para o cacau”, disse ele.

Produtor Tábito Araújo, de 18 anos
Produtor Tábito Araújo, de 18 anos – Foto: Divulgação | Nestlé

Ele explica ainda que, com o impulsionamento do modelo sustentável do cacau e a geração de maior valor agregado, a produção cacaueira virou o ouro do campo.

“Se os jovens não adquirirem visão de que o campo é uma empresa, que a gente tem que gerir essa empresa de forma certa, vai haver monopólios nas propriedades rurais e esses jovens se tornarão empregados do campo e não gestores. O cacau é a principal fonte de renda do baixo sul, e se nós jovens não implementarmos isso agora, daqui a 5 a 10 anos, não vai ter cacauicultor para atender as demandas da área”, explica o técnico agrícola.

Cacau: o ouro da Bahia

A Bahia é o maior produtor de cacau do país. Em 2025, o estado registrou uma produção de 119,63 mil toneladas, o equivalente a 40,4% do total nacional, com projeção de crescimento para 125,36 mil toneladas em 2026.

Nos últimos anos, o modelo sustentável de produção do fruto tem sido uma forte tendência de mercado impulsionada por sistemas agroflorestais, rastreabilidade e agricultura familiar. Diversas empresas e iniciativas baianas têm se debruçado a essas potências.

Cerca de 80% a 90% das propriedades produtoras pertencem a agricultores familiares ou utilizam métodos tradicionais de baixo impacto ambiental

De acordo com o agrônomo George Sodré, a cultura do cacau está cada vez mais atenta às mudanças do mercado e os desafios que vêm cercando a produção do fruto. Ele destaca o mercado internacional, como a África, que segue sendo o maior exportador de cacau através da Costa do Marfim.

Agrônomo e professor George Sodré
Agrônomo e professor George Sodré – Foto: Divulgação | Nestlé

O professor Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz – Uesc/ DCAA explica ainda que o êxodo dos campos de cacau para a mineração e as doenças do cacau têm preocupado o mercado. Para ele, essas instabilidade internacional, mas também nacional, é a oportunidade para que jovens brasileiros pensem caminhos mais assertivos ao futuro do cacau.

“Jovens são muito mais fáceis de refletir porque estão num processo de conhecimento. O que fazemos não é trazer soluções, mas mostrar para eles o que é que eles vão encontrar. Hoje o maior problema da cacauicultura é a mão de obra. Nós estamos num momento de oportunidade, sempre estivemos. O cacau sempre dá oportunidades. Vamos ter preço alto, ter preço baixos, mas nós temos que ter produtividade”, explica o professor.

“O mais importante é que eles tenham orgulho de ser cacauicultores.Ter orgulho do que produz: um alimento de excelente qualidade e que é fantástico. Até há pouco tempo atrás só se fazia amêndoa, hoje se fala em mel, em geleia, em suco, em licores, quer dizer, o cacau tá avançando e quem trabalha com essa cultura tem N possibilidades”, finalizou ele.

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