Aprender a se comunicar no mundo muitas vezes vai além das palavras faladas. Para o estudante Kauan Teillon de Jesus Santos, morador do município de Catu (BA), a linguagem do amor e do aprendizado começou na infância, folheando um livro de Libras (Língua Brasileira de Sinais) para conseguir conversar com os próprios pais, ambos com deficiência auditiva.
Essa vivência profunda e emocionante foi a matéria-prima para o artigo de opinião intitulado “Filho do silêncio: a urgência de um Brasil sem barreiras”, que garantiu ao aluno do Colégio Estadual de Tempo Integral de Catu o destaque no Concurso Cultural Jovem Jornalista 2026, promovido pelo programa A TARDE Educação.
“Filho do Silêncio”: a inspiração que veio do berço
Ao receber o tema do concurso deste ano — “De onde eu venho, escrevo: histórias e leituras do meu lugar no mundo” —, Kauan não teve dúvidas de qual história precisava contar.
“Alguns meses atrás, decidi falar sobre minha família, que é portadora de deficiência auditiva. Eu quis trazer um pouco da minha história e do meu cotidiano. Desde pequeno, meus pais me ensinaram com um livro de Libras a me comunicar com eles, então cresci nessa realidade”, revela o estudante.
Criado inicialmente com a avó e ao lado dos pais, Kauan assumiu desde cedo o papel de ponte entre a comunidade surda e o mundo ouvinte. Hoje, ao lado da irmã caçula de 7 anos, ele conduz uma vida tranquila em Catu, mas carrega na memória as marcas da intolerância.
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A dor do preconceito e a luta por respeito
O artigo de Kauan não é apenas um relato pessoal; é um manifesto contra a discriminação que pessoas com deficiência enfrentam diariamente nas ruas e na internet.
“Me dói muito no coração ver pessoas zoando ou falando mal de quem não escuta. Eles não pediram para ser assim. Já presenciei muito essa situação no passado e é algo que machuca”, desabafa o jovem, ressaltando a urgência de uma sociedade mais empática e acessível.
O sonho do Direito e a parceria na escola
A construção do texto exigiu meses de pesquisa, reescrita e dedicação. Sob a orientação da professora Jeane Rios Chian Figueredo, Kauan aprimorou a escrita argumentativa e superou as próprias dúvidas sobre o seu potencial.
“Eu não achava que estaria aqui hoje. Mas foram muitos meses de escrita e a orientação da professora Jeane me ajudou bastante”, reconhece.
O exercício do artigo de opinião acabou alimentando um grande sonho de infância: cursar Direito e se tornar advogado. Para ele, o conhecimento das leis e o domínio da escrita são ferramentas ideais para defender os direitos de grupos que muitas vezes enfrentam barreiras para serem ouvidos e respeitados.
Uma dedicatória especial

“Eu dedico essa conquista aos meus pais. Esse trabalho foi uma história sobre eles, sobre mim e sobre o cotidiano da nossa vida.”
Com a sensibilidade de quem transformou a vivência em força argumentativa, Kauan Teillon mostra que a inclusão e o respeito são os melhores caminhos para construir o futuro.
O Concurso Cultural Jovem Jornalista (CCJJ) 2026 é uma realização do Programa A TARDE Educação, do Grupo A TARDE, e conta com o apoio da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC/BA), da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) e da Rio Energy. A iniciativa tem patrocínio da Acelen, do SESI, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e da Neoenergia Coelba.