A morte de uma recém-nascida durante o parto, na maternidade Frei Justo Venture, na cidade de Seabra, no interior da Bahia, passou a concentrar questionamentos sobre o atendimento prestado e desencadeou uma onda de relatos semelhantes.
O caso, inicialmente restrito ao drama vivido por uma família, ganhou repercussão após parentes denunciarem possíveis falhas na assistência recebida pela gestante antes e durante o nascimento da criança.
Família questiona assistência durante trabalho de parto
Segundo familiares, a gestante permaneceu várias horas em trabalho de parto antes de ser encaminhada para o procedimento de nascimento. Durante esse período, de acordo com os relatos, a equipe médica teria informado repetidamente que os sinais vitais da bebê estavam dentro da normalidade.
A expectativa da família, porém, deu lugar ao desespero no momento do parto. Conforme os parentes, a criança nasceu sem sinais aparentes de vitalidade, sem chorar e sem respirar. Um médico foi acionado para tentar reanimá-la, mas a recém-nascida não resistiu.
“Chegou a sala de parto, mas estava sem passagem, apenas com seis centimetros. Mas até esse momento estava com os batimentos normais. Mas mesmo assim ela nasceu, sem chorar e toda roxa. O médico apareceu na sala de parto para tentar salvar, mas não teve mais jeito”, revelou a vó da criança.
As circunstâncias exatas da morte ainda não foram esclarecidas oficialmente.
Atendimento anterior também é alvo de questionamentos
Os familiares afirmam que a mãe da criança havia procurado a unidade dias antes do parto após perceber perda de líquido amniótico. Segundo a versão apresentada pela família, ela foi avaliada e liberada sem a realização de exames de imagem.
Posteriormente, já durante o parto, parentes alegam que teria sido identificada ausência de líquido amniótico e presença de mecônio intrauterino. Essas informações, entretanto, ainda dependem de confirmação por meio de investigação técnica e análise dos prontuários médicos.
Redes sociais ampliam denúncias
Após a repercussão do caso, outros casos passaram a surgir. Os depoimentos mencionam situações como demora no atendimento, dificuldades para conseguir avaliação médica, atrasos em procedimentos e episódios que foram classificados pelas pacientes como violência obstétrica.
A multiplicação dos relatos transformou a discussão em um debate mais amplo sobre a qualidade da assistência prestada na unidade.
Posicionamento da maternidade
Em nota, a Maternidade Frei Justo Venture manifestou profundo pesar pelo óbito fetal ocorrido na unidade e se solidarizou com a paciente e seus familiares.
Segundo o comunicado, a paciente permaneceu internada sob acompanhamento contínuo de equipe multiprofissional durante todo o período de internação. “As condutas adotadas foram pautadas na evolução clínica e obstétrica, com monitorização materna e fetal, conforme os protocolos assistenciais da unidade. Após o nascimento, a equipe iniciou imediatamente as manobras avançadas de reanimação neonatal, empregando todos os recursos indicados para a situação, porém sem êxito”.
“Até o presente momento, a avaliação preliminar não identificou elementos objetivos que permitam afirmar a ocorrência de violência obstétrica, permanecendo a apuração em andamento até a conclusão da investigação técnica”, diz o texto.