O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (12) que acompanha com preocupação a decisão da Justiça italiana que rejeitou o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil.
Em nota, Fachin destacou que o STF atuou com independência, imparcialidade e respeito ao devido processo legal durante o julgamento. O ministro também saiu em defesa da atuação de Alexandre de Moraes, relator da ação penal que condenou Zambelli a 10 anos de prisão por invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica.
A decisão da Corte de Cassação da Itália, última instância da Justiça italiana, foi divulgada oficialmente nesta sexta-feira. Os magistrados entenderam que houve comprometimento da imparcialidade no processo, argumentando que Moraes teria atuado simultaneamente como relator e vítima dos fatos investigados. Após a decisão, Zambelli permaneceu em liberdade na Itália, onde aguarda os próximos desdobramentos do caso.
Segundo as investigações, ela teria sido a autora intelectual da invasão ao sistema do CNJ, utilizada para emitir um falso mandado de prisão contra Moraes. Antes do cumprimento da pena, Zambelli deixou o Brasil e passou a residir na Itália, país do qual também possui cidadania.
A negativa italiana é a segunda rejeição recente a um pedido de extradição relacionado a investigações conduzidas por Moraes. Em 2025, a Justiça da Espanha recusou a extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio, alegando que o caso possuía motivação política.