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evangélicos viram peça-chave na disputa pela Presidência

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) –

A religião deve ocupar papel central na eleição presidencial deste ano, em um movimento já visto nas estratégias de campanha dos dois principais pré-candidatos ao cargo: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição em outubro, e Flávio Bolsonaro (PL).

A busca dos políticos por apoio do eleitorado religioso, principalmente do público evangélico, não é apenas uma “coincidência de fé”, mas uma estratégia baseada em transformações demográficas e sociais profundas no Brasil nos últimos anos.

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Com base nos dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que se autodeclaram evangélicas registrou crescimento recorde, passando de 21,6% (2010) para 26,9% (2022) da população, o que representa aproximadamente 47,4 milhões de pessoas.

Essa disputa pelo chamado “voto religioso” inclusive repete uma batalha antiga vista no último pleito presidencial, com Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Naquela época, pesquisas às vésperas das eleições mostravam Bolsonaro com 45% dos votos do público evangélico e Lula com 26%.

Tendência se repete em eleição polarizada

Em entrevista ao portal A TARDE, o professor e cientista político Cláudio André de Souza explicou que Lula e Flávio Bolsonaro intensificam a busca por apoio dos evangélicos porque já entenderam que, assim como em 2022, esse apoio é decisivo em um cenário de polarização e disputa apertada.

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) | Foto: Ricardo Stuckert |PR e Vinicius Loures | Câmara dos Deputados

Além disso, ele destacou que o perfil dos evangélicos, por serem mobilizados e terem forte capilaridade eleitoral, pode fazer diferença nas urnas.

“Em uma eleição que tende a ser polarizada, como foi em 2022, um público evangélico, engajado e que tem mobilização social pode fazer a diferença no resultado final. Isso explica o fato de tanto o presidente Lula quanto Flávio Bolsonaro calcularem a todo momento como se aproximarão do público evangélico”, afirmou.

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Agenda

Recentemente, repercutiram nas redes sociais fotos do presidente Lula e de Flávio Bolsonaro em momentos religiosos.

O petista foi flagrado em momento de oração durante visita à Basílica da Sagrada Família, na Espanha, ao lado da sua esposa Janja da Silva.

Lula e Janja em igreja

Lula e Janja em igreja | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive, iniciou neste mês um tour por igrejas evangélicas, com encontros reservados com lideranças religiosas.

Flávio Bolsonaro em encontro com lideranças da Assembleia de Deus

Flávio Bolsonaro em encontro com lideranças da Assembleia de Deus | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Veja o encontro

A agenda foi acelerada após movimentos recentes de outros adversários, como o ex-governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que teve a candidatura oficializada na semana passada e é uma forte liderança evangélica.

Perfil conservador é desafio do PT

Diferentemente do eleitorado católico, que tende a se aproximar mais de políticos de esquerda, o cientista Cláudio André chamou atenção para o perfil conservador do público evangélico.

Segundo ele, esse é um grande desafio para a campanha de Lula, já que, ideologicamente, esse segmento se assemelha mais a pautas da direita.

“Além da crença e doutrina de fé, o eleitor evangélico é também muito mobilizado ideologicamente. É um público mais conservador, então esse diálogo acaba ficando mais engajado para um determinado perfil ideológico. A tendência do público evangélico é apoiar o conservadorismo e partidos de direita”, explicou.

Até o fim da campanha, segundo o especialista, os políticos vão precisar se engajar para conseguir “contar com o apoio dos evangélicos e da sua mobilização, como vetor de crescimento de campanha e de condições de, inclusive, influenciar as eleições.”



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