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Espetáculo sobre Freud que já atraiu 180 mil pessoas chega a Salvador

O encontro fictício entre Sigmund Freud, conhecido por suas críticas à religião, e C.S. Lewis, escritor que se tornou um dos principais defensores da fé cristã, chega aos palcos de Salvador em outubro.

O espetáculo “A Última Sessão de Freud”, escrito pelo dramaturgo estadunidense Mark St. Germain, terá apresentações de 8 a 11 de outubro de 2026, no Teatro Sesc Casa do Comércio.

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Dirigida por Elias Andreato e protagonizada por Odilon Wagner e Marcello Airoldi, a montagem aborda questões como a existência de Deus, o sentido da vida e a natureza humana. Em cartaz desde 2022, a peça já ultrapassou 400 apresentações e foi assistida por mais de 180 mil pessoas, além de ter realizado três turnês nacionais.

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As sessões acontecem na quinta, sexta e sábado, às 20h, e no domingo, às 17h. Os ingressos custam entre R$ 70 e R$ 180 e estão disponíveis pela internet.

Freud e C.S. Lewis se enfrentam em debate sobre religião

A trama coloca frente a frente duas figuras que influenciaram o pensamento do século 20. De um lado, Sigmund Freud (Odilon Wagner), considerado o pai da psicanálise e crítico da crença religiosa.

Do outro, C.S. Lewis (Marcello Airoldi), escritor, poeta, crítico literário e professor de Oxford que abandonou o ateísmo e se tornou defensor da fé cristã.

Ambientada no gabinete de Freud, na Inglaterra, a história acompanha o embate intelectual entre os dois personagens. Freud tenta compreender como um intelectual que antes rejeitava a religião passou a acreditar em Deus, enquanto Lewis sustenta suas convicções em uma conversa marcada por questionamentos, ironia e divergências.

Ao longo do encontro, o debate se estende para além da religião e aborda temas como sexo, morte, relações humanas e o sentido da existência. O humor e o sarcasmo permeiam a narrativa, que propõe uma reflexão sobre a possibilidade de convivência entre pessoas com visões de mundo distintas.

O texto de Mark St. Germain foi inspirado no livro Deus em Questão, do médico Armand M. Nicholi Jr., professor clínico de psiquiatria da Harvard Medical School.

“Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”, completa Odilon Wagner.

Segunda Guerra Mundial faz parte do contexto da peça

O encontro fictício acontece em 1939, no período em que a Inglaterra entrou na Segunda Guerra Mundial. Naquele momento, Freud vivia exilado no país após fugir da perseguição nazista na Áustria.

A escolha do contexto histórico foi uma forma de inserir os personagens em uma situação de tensão, na qual as diferenças de pensamento convivem com a ameaça de um conflito de grandes proporções.

Em entrevista sobre o espetáculo, o dramaturgo explicou a decisão de situar a história nesse período.

“A peça mostra um embate de ideias. Isso é uma armadilha, e eu não queria que o espetáculo se transformasse em um debate. Por isso, pelo bem da ação dramática, situei o encontro entre Freud e Lewis no dia em que a Inglaterra ingressou na Segunda Guerra Mundial. Então, são dois homens no limite, sabendo que Hitler poderia bombardear Londres a qualquer minuto”.

O cenário, assinado por Fábio Namatame, reproduz o consultório em que Freud desenvolvia seus estudos e atendimentos. A direção de Elias Andreato privilegia o texto e as interpretações, mantendo as ideias e os conflitos entre os protagonistas no centro da encenação.

Ao comentar a proposta, o diretor destaca a relação entre as diferenças dos personagens e a possibilidade de diálogo. “O diálogo entre os dois personagens é, por vezes, irônico, por vezes violento, mas surpreendentemente sociável, e é justamente aí que reside sua força: Na prova de que é possível conviver com as diferenças de forma inteligente, crítica e sobretudo, humana.”

Andreato também relaciona os temas da montagem às discussões presentes na sociedade contemporânea.

“O espetáculo dialoga com o público de maneira sensível e direta. Seu sucesso nasce da atualidade do tema e da urgência em discutir questões profundas e delicadas que atravessam o nosso cotidiano, especialmente em um Brasil cada vez mais dividido. O teatro mostra, mais uma vez, ser o veículo ideal para falar da violência com poesia, reflexão e escuta, abrindo caminhos para a transformação”, conta o diretor.

Odilon Wagner e Marcello Airoldi comentam a experiência

A interpretação de Freud representa uma experiência importante para Odilon Wagner, que soma 56 anos de carreira. O ator, indicado aos prêmios Shell, APCA e Bibi Ferreira pelo trabalho na montagem, destaca a recepção do público e as discussões promovidas após as apresentações.

“Tem sido uma das experiências mais fascinantes de minha carreira, é um privilégio poder representar uma personagem tão potente como Freud, um dos grandes pensadores do século XX. Nesses últimos quatro anos em que estivemos em cartaz, já rodamos o país três vezes e repetiremos a turnê em 2026″, disse.

“A reação do público, sempre tão entusiasmada, e os encontros e debates que tivemos nos teatros e nas universidades me enriqueceram muito e trouxeram a confirmação da atualidade do pensamento Freudiano em nosso século. O espetáculo estimula a nossa reflexão sobre a necessidade de praticarmos uma cultura de paz, nos provoca a exercer nossa humanidade com mais fervor e atenção, para que não se repita a história deletéria da segunda guerra mundial, vivenciada por Freud”, completa o ator.

Marcello Airoldi, intérprete de C.S. Lewis, também comenta a importância dos elementos envolvidos na produção teatral e o interesse do público por histórias que incentivem a reflexão.

“Teatro nunca é feito de facilidades e não há fórmulas para o sucesso de um projeto, mas quando este acontece, saltam aos olhos detalhes que evidenciam a existência de cuidados especiais, seja na produção, direção ou qualquer outro aspecto técnico do espetáculo”, afirma.

“Num mundo dominado por algoritmos da superficialidade, é maravilhoso encontrar plateias sedentas pelo bom debate, humor de qualidade, poesia e pela história de bons personagens como estes, que a dramaturgia juntou na mesma página”, finaliza.

Confira a sinopse de “A Última Sessão de Freud”

No gabinete de Freud, na Inglaterra, o pai da psicanálise e o escritor C.S. Lewis conversam sobre a existência de Deus, mas o embate verbal se expande por assuntos como o sentido da vida, natureza humana, sexo e as relações humanas, resultando em um espetáculo que se conecta profundamente com o espectador através de ferramentas como o humor, a sagacidade e o resgate da escuta como ponto de partida para uma boa conversa.

O sarcasmo e ironia rondam toda essa discussão. As ideias contundentes ali propostas nos confundem, por mais ateus ou crentes que sejamos.

Espetáculo “A Última Sessão de Freud”, de Mark St. Germain

  • Local: Teatro Sesc Casa do Comércio, Salvador
  • Temporada: 8 a 11 de outubro de 2026
  • Horários: quinta, sexta e sábado, às 20h; domingo, às 17h
  • Ingressos: de R$ 70 a R$ 180
  • Vendas online: Sympla e site oficial do espetáculo
  • Classificação indicativa: 14 anos



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