Em escolas municipais de Salvador, refeições são adaptadas às necessidades alimentares de alunos neurodivergentes. No Centro Municipal de Educação Infantil Calabar, por exemplo, a equipe segue orientações específicas para crianças com seletividade alimentar e observa as preferências de cada estudante.
O trabalho começa com conversas com as famílias e acompanhamento diário dos alunos. Segundo a coordenadora da unidade, Kelle Cristina, as informações ajudam a ajustar o cardápio e a garantir que as crianças sejam acolhidas e respeitadas.
A escola utiliza três tabelas com orientações para alunos com seletividade alimentar, alergias ou restrições religiosas. As informações ficam disponíveis na cozinha e nas salas de aula, para orientar a preparação das refeições.
A nutricionista Fernanda Fontes afirma que a alimentação na escola também pode incentivar a experimentação de novos alimentos, especialmente quando a criança costuma ter uma dieta mais restrita em casa.
A merendeira Paula Mariana diz que a preparação exige atenção a detalhes como intolerância à lactose e restrições a corantes. “Eles estão sob nossa responsabilidade, então é necessário estar sempre atenta”, relata.
Ademais, Mães de alunos afirmam que as adaptações têm contribuído para mudanças na rotina alimentar das crianças. Vitória Silva conta que a filha, Ana Sofia, de 6 anos, antes passava boa parte do dia sem comer na escola e, após conversas com a equipe, passou a fazer refeições completas.
Itala Miriele, mãe de Luna Dias, também de 6 anos, relata que a filha costumava aceitar apenas alimentos batidos. Segundo ela, a experiência na escola ajudou na introdução de novos alimentos.