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entenda nova regra para cachês de artistas no São João

O imbróglio a respeito do teto de R$ 700 mil para cachês de artistas no São João da Bahia ganhou um novo capítulo, dessa vez, definitivo.

O
Ministério Público da Bahia (MP-BA) compartilhou com o portal A TARDE uma cartilha informativa referente à orientação sobre contratação de artistas para os festejos juninos de 2026.

Como será definido o valor do cachê

A orientação central para determinar se o cachê de um artista está adequado é utilizar como referência a média dos valores recebidos pelo artista no
São João de 2025 no estado. O valor atualizado servirá como parâmetro mínimo de comparação.

Como fazer o cálculo

Deve-se somar todos os contratos do artista realizados entre 1º de maio e 31 de julho do ano passado, dividir o total pelo número de contratos e atualizar esse valor pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado até 2026.

A cartilha diz que para a atualização monetária, recomenda-se o uso da
Calculadora do Cidadão do Banco Central.

O documento mostra um exemplo hipotético:

  • Houve o levantamento e a equipe identificou que o artista recebeu em 2025: R$ 300 mil, R$ 350 mil e R$ 400 mil;
  • A soma total dos valores informados é de R$ 1.050.000,00 (um milhão e cinquenta mil reais);
  • Como foram 3 contratos, o valor de R$ 1.050.000,00 dividido por 3, resulta na média de R$ 350 mil.

Depois de fazer o cálculo, o valor médio encontrado precisa ser corrigido pela inflação usando o IPCA.

No exemplo citado, considerando um IPCA acumulado de 4,4% entre maio de 2025 e maio de 2026, o valor original de R$ 350.000,00 é atualizado da seguinte forma:

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  • R$ 350.000,00 × 1,044 = R$ 365.400,00
  • Assim, o valor corrigido passa a ser de R$ 365.400,00

Exemplo aplicado na prática

Em 2025, Wesley Safadão foi contratado por cinco cidades e recebeu R$ 1,1 milhão por cada contrato.

No total, ele embolsou R$ 5,5 milhões. Aplicando a variação inflacionária (R$ 5,5 milhões × 1,044), chega ao montante de R$ 1.148.400 — esse seria o valor do cachê de Safadão em 2026.

Wesley Safadão foi contratado por cinco cidades e recebeu R$ 1,1 milhão por cada contrato | Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

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Como consultar os preços

Segundo a cartilha, os gestores podem consultar os valores praticados em diferentes plataformas:

  • Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP)
  • Portais de Transparência
  • Painel Junino do Estado da Bahia, cujas informações devem ser idênticas às enviadas ao Tribunal de Contas

Porém, caso não existam dados suficientes de 2025 para um determinado artista, o gestor deve:

  • Ampliar a pesquisa para os últimos 12 meses (de abril de 2026 para trás, por exemplo)
  • Exigir que o empresário comprove a compatibilidade do preço com o mercado

Para artistas que ganharam fama repentina em 2026, é permitida uma justificativa baseada em documentos que comprovem essa mudança de patamar no mercado.

Sem teto de R$ 700 mil?

A
União dos Municípios da Bahia (UPB) havia estabelecido um teto de R$ 700 mil para cachês pagos para artistas durante os festejos juninos da Bahia.

A decisão vem na esteira das reclamações dos prefeitos com relação aos valores recentes cobrados por cantores durante os festejos juninos.

Após reuniões, os gestores levaram a demanda ao MP-BA, que é
responsável pela fiscalização do emprego dos cachês de festas juninas.

Apenas em 2025, o
total dos gastos com contratações acima do teto proposto foi de R$ 38 milhões, conforme levantamento feito pelo portal A TARDE, com base nos dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia.

São João da Bahia no Parque de Exposições, em Salvador

São João da Bahia no Parque de Exposições, em Salvador | Foto: Samuel Oliveira | GOVBA

O que orienta o MP-BA

Na Bahia, contratos com valor acima de R$ 700 mil entrarão em uma faixa de atenção especial.

Nessas situações, a fundamentação deve ser mais rigorosa, exigindo:

  • Justificativa detalhada do preço
  • Comprovação da capacidade financeira do município (disponibilidade de caixa, regularidade da folha de pagamento e inexistência de estado de calamidade)
  • Declaração de que não haverá suplementação orçamentária para a cultura, exceto se houver superávit comprovado

Além disso, o documento propõe que os municípios adotem como limite para o gasto total com os festejos de 2026 o mesmo valor gasto em 2025, corrigido apenas pelo IPCA. O objetivo é evitar o crescimento desmedido das despesas e proteger a saúde financeira municipal.

Segundo o MP-BA, a análise dos contratos firmados em 2025 indicou que
apenas 1% ultrapassou R$ 700 mil, parâmetro que fundamentou a definição da faixa de atenção especial prevista na nota técnica.

“Não foi estabelecido valor máximo, mas, sim, uma faixa de atenção especial para contratações acima dos valores que representaram 99% dos contratos no estado. Nesses casos, exige-se uma
justificativa técnica mais robusta e a demonstração da saúde financeira do município”, detalhou a promotora de Justiça Rita Tourinho, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Proteção ao Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (Caopam).

Autonomia dos municípios

A cartilha ressalta que os prefeitos podem manter sua autonomia de decisão, mas pontua o cumprimento das diretrizes reduz riscos de questionamentos futuros pelos órgãos de controle e reforça a probidade administrativa.

O procurador-geral de Justiça,
Pedro Maia, destacou que a iniciativa representa um esforço coletivo para fortalecer práticas preventivas e responsáveis na administração pública.

Não se trata de impor valores, mas de criar parâmetros objetivos para que os festejos ocorram dentro das possibilidades financeiras de cada município.

Pedro Maia – procurador-geral de Justiça

A nota técnica com diretrizes para orientar os municípios baianos na condução dos processos de contratação de artistas foi assinada pelo MP-BA junto com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

Farra

No ano passado, o total de gastos total das prefeituras com a contratação de bandas foi de R$ 614 milhões. Ao todo, foram contratados 2.851 artistas em mais de 6 mil apresentações.

Conforme a ferramenta do MP-BA, a maioria dos recursos que custearam as festas é de origem municipal, na ordem de
R$ 494 milhões. O estado destinou R$ 83,5 milhões e a União R$ 16,1 milhões.

No topo do
ranking dos municípios que mais gastaram nos festejos juninos em 2025, está Cruz das Almas, que desembolsou R$ 10,56 milhões. Em seguida, aparece Jequié, com R$ 10,21 milhões. Fechando o pódio está Conceição do Jacuípe, com R$ 9,75 milhões.



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