O caso do assassinato de Ana Clara Gomes Machado, morta aos cinco anos em 2 de fevereiro de 2021, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, envolve a atuação jurídica do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).
A repercussão do caso voltou ao centro do debate público após o lançamento, nesta quarta-feira, 30, do documentário “O Julgamento que Nunca Aconteceu”, terceiro episódio da série documental jornalística Revelando, narrado pela atriz Camila Pitanga.
O projeto é realizado e produzido em uma parceria entre o ICL Notícias, a Mídia Ninja e a 342 Artes.
Assista:
O crime contra Ana Clara e a denúncia do Ministério Público
O crime, que vitimou a menina Ana Clara ocorreu na manhã de 2 de fevereiro de 2021, na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói.
Na ocasião, ela brincava na calçada de casa, segurando uma boneca, quando foi atingida no peito por disparos de fuzil efetuados pelo então cabo da Polícia Militar, Bruno Dias Delaroli.
Ana Clara chegou a ser socorrida na própria viatura pelos policiais, mas não resistiu aos ferimentos.

A denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) apontou homicídio com dolo eventual, pontuando que o agente assumiu o risco de matar ao abrir fogo em uma área estritamente residencial.
A defesa do policial, por sua vez, alega que ele reagiu a um ataque na localidade.
Diante dos indícios, a Justiça fluminense determinou que o réu fosse submetido ao Tribunal do Júri.
Flávio Bolsonaro entra na defesa do policial
O documentário mostra que o andamento do processo sofreu uma reviravolta com a entrada de Flávio Bolsonaro na banca jurídica do policial.
Registrado como advogado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o senador assinou um recurso especial direcionado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O objetivo da peça jurídica era reverter a decisão de pronúncia, que determinou que o policial fosse levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Embora o STJ tenha rejeitado o recurso apresentado pela defesa com a assinatura de Bolsonaro, a estratégia jurídica resultou no adiamento do desfecho do caso.
Cinco anos após a tragédia, o processo segue em meio a trâmites de apelações.
O ex-cabo Bruno Dias Delaroli, que chegou a ser preso preventivamente no início das investigações, responde ao processo em liberdade.