O agronegócio descobriu uma forma mais eficaz e econômica de identificar bovinos do confinamento prontos para o abate, uma semana antes da data prevista pelo manejo convencional.
O sistema, desenvolvido por pesquisadores apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), combina drones e inteligência artificial em um lote de 110 animais, gerando uma economia de R$ 15 mil.
O experimento ocorreu na Fazenda Campanário, em Laguna Carapã (MS), e acompanhou os bovinos Nelore durante 112 dias. A proposta é ajudar o pecuarista a identificar quando a redução no ritmo de ganho de peso deixa de justificar os gastos adicionais com alimentação.
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Os resultados integram um estudo publicado na revista científica Computers and Electronics in Agriculture. O pesquisador Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa Agricultura Digital, apresentou a tecnologia em 28 de outubro, durante a FAPESP Week Países Baixos.
Como o sistema funciona?
O experimento acompanhou 110 bovinos Nelore, com idade média inicial de 18 meses, durante um ciclo de engorda de 112 dias. Os pesquisadores realizaram 12 missões aéreas para registrar a evolução corporal dos animais.
O sistema utiliza imagens captadas por drones que sobrevoam os animais a aproximadamente 15 metros de altura. São precisos dois modelos de inteligência artificial para processar os registros:
- 1º: identifica individualmente os bovinos, com precisão de 95,56% na tarefa de detecção.
- 2º: delimita o contorno corporal de cada animal.
A partir dessas informações, o programa compara a largura e o comprimento dos bois. Essa proporção permite acompanhar alterações na conformação corporal ao longo do confinamento.
Conforme o animal desenvolve musculatura e acumula gordura, sua largura tende a aumentar em relação ao comprimento. Ao analisar essa evolução durante várias semanas, os pesquisadores conseguem estimar mudanças no ritmo de crescimento do lote.
O método também reduz a influência de pequenas variações na altitude do drone, já que utiliza uma proporção corporal em vez de depender exclusivamente das dimensões absolutas da imagem.
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Para evitar distorções, a inteligência artificial descarta registros de animais deitados, curvados ou posicionados em ângulos inadequados. O cálculo considera os bovinos que aparecem em pé e com postura favorável à análise.
Economia pode chegar a R$ 2 milhões em grande confinamento
A análise das imagens mostrou que o lote havia entrado na fase de desaceleração do ganho de peso uma semana antes do previsto pelo manejo convencional. Segundo os pesquisadores, a identificação antecipada dessa mudança representou uma economia de R$ 15 mil com alimentação.
O valor equivale a aproximadamente R$ 136 por animal no lote estudado.
A Fazenda Campanário possui capacidade para cerca de 14,6 mil bovinos confinados. Se o resultado econômico observado no experimento fosse reproduzido em toda essa capacidade, a economia poderia se aproximar de R$ 2 milhões.
Essa projeção, porém, não representa uma economia efetivamente registrada em toda a propriedade. O resultado depende de fatores como desempenho dos animais, custo da dieta, duração do confinamento e condições de comercialização.