As datas de hoje e de amanhã têm sua efeméride ampliada pelo acúmulo de duas demandas sem as quais não se pode dizer do Brasil um país pronto a acolher toda a cidadania. São elas a educação de pessoas surdas e a inclusão escolar, convergindo para valorização do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e português.
As datas convocam à luta diária por direitos educacionais e acesso a todos os cantos e recantos da sociedade por seus integrantes impossibilitados de ouvir. A opção por Libras tropeça na dificuldade de tornar o idioma dos surdos mais frequente na comunicação entre eles e nas interações com os ditos “normais”.
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Simultâneo ao contexto desfavorável, pode-se acrescentar a desistência do aprendizado por falta de destreza com os gestos, levando ao abandono. Nestas ocorrências, quem sai esfregando as mãos – sinal de satisfação – é o revendedor de produtos de alta tecnologia capazes de recuperar a audição.
Este tem sido o impulso preferencial de surdos e seus parentes, na ilusão de reabilitar ou inserir a pessoa no cotidiano que rejeita o público não-ouvinte. Esforços vêm sendo empreendidos para multiplicar os conhecedores de Libras, nem sempre tendo efeito consistente ou duradouro na comunidade surda.
Um deles é a obrigatoriedade de uma disciplina com fins específicos do ensino-aprendizagem nos currículos básicos das universidades de todo o país. Tão logo o estudante conquista sua aprovação, já começa o esquecimento do alfabeto manual, servindo a disciplina como um obstáculo inútil a ser superado.
Por outro prisma, querem fazer-se ouvir os grupos organizados a favor de Libras, ao reivindicarem mais espaço para tradução de conteúdos audiovisuais. A luta fica medonha quando se verifica o descumprimento, por parte de empresas de médio e grande porte, da determinação de uma cota de emprego.
A porção significativa de 10 milhões de brasileiros surdos, equivalente a quatro vezes Salvador, implica perceber a proporção do impacto social do dano. É preciso dar ouvidos a tantos apelos por acolhimento urgente.