A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pediu nesta quarta-feira (16) a revogação da prisão preventiva do empresário. Os advogados alegam excesso de prazo e afirmam que ele está detido há mais de 90 dias.
O pedido ocorre em meio à suspensão da tramitação de processos relacionados ao caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Para a defesa, a paralisação agrava a situação de Henrique, já que não há definição sobre quando o impasse envolvendo a investigação será resolvido.
Prisão ocorreu em maio
Henrique Vorcaro foi preso preventivamente em maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e posteriormente mantida pela Segunda Turma da Corte.
Segundo as investigações, Henrique seria integrante e um dos líderes de uma estrutura de segurança particular mantida por Daniel Vorcaro. A Polícia Federal aponta os grupos denominados “A Turma” e “Os Meninos”, que, conforme a apuração, teriam atuado em ações de intimidação contra desafetos do ex-banqueiro, incluindo ameaças presenciais e virtuais.
Ainda de acordo com a PF, o grupo também teria obtido ilegalmente informações sigilosas que seriam utilizadas em benefício de Vorcaro.
Defesa questiona paralisação no STF
Os advogados sustentam que a suspensão dos processos no Supremo prejudica diretamente Henrique e argumentam que ele não possui foro por prerrogativa de função. A defesa afirma ainda que não há, no processo em que ele é investigado, pessoas com foro privilegiado perante o STF.
A paralisação foi determinada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em meio à crise envolvendo o caso Master. Fachin é relator do pedido apresentado por Mendonça para que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado, após um relatório da PF apontar mensagens que teriam sido encaminhadas a Moraes por Daniel Vorcaro.
A decisão de Fachin estabeleceu que os processos relacionados ao caso Master só devem voltar a tramitar após o plenário analisar a possibilidade de investigação contra Moraes e a regularidade da atuação de Mendonça como relator.
Na sessão da última terça-feira (15), no entanto, os ministros não chegaram a analisar o mérito das questões. Ainda não há uma data definida para a retomada do julgamento.