Toda vez que se fala em “inovação”, muitos empresários acabam se preocupando com situações de mudanças. A preocupação é que muitas vezes o negócio é pequeno e acham que não é relevante para o momento por acharem que devem gastar demais. A grande reflexão é que inovação não é para “mostrar que faz diferente”, mas sim, para mostrar que do jeito que o mundo anda, ficar parado virou o caminho mais rápido para fechar as portas.
Podemos entender uma coisa logo de cara: inovar não é inventar a roda. Inovar é fazer diferente o que você já faz, de um jeito que resolva melhor o problema do seu cliente ou o seu próprio problema. É a costureira que passa a vender pelo WhatsApp com catálogo bem elaborado. É o mercadinho do bairro que começa a entregar de bicicleta. É o salão que manda mensagem lembrando o horário da cliente. Nada disso precisou de muito dinheiro – apenas necessitou de olho aberto e coragem de testar.
Olhar ao redor e entender o cenário de mercado é fundamental. O cliente de hoje compara preço no celular enquanto está dentro da sua loja. Paga com Pix em dois segundos e acha estranho quando alguém ainda pede “só dinheiro”. Quer resposta rápida, quer ser bem tratado e, se não for, troca de fornecedor sem pensar duas vezes. O concorrente que você nem conhecia está vendendo pela internet para sua cidade inteira. O negócio que não acompanha isso não se sustenta.
A Reforma Tributária vem aí, mudando a forma como os impostos são cobrados no Brasil. Com o novo modelo, muita coisa no dia a dia da empresa vai mudar: como se emite nota, como se calcula preço, como o dinheiro entra e sai. Quem continuar fazendo uma gestão conservadora, vai sentir no bolso.
Muitos empreendedores sinalizam que não tem dinheiro para inovação. E eu entendo, porque a realidade do pequeno empresário brasileiro é apertada. Só que a inovação que mais dá resultado, na maioria das vezes, é a mais barata. Começa com perguntas simples:
• O que meu cliente mais reclama?
• Onde eu perco mais tempo ou mais dinheiro no meu dia a dia?
• O que meu concorrente faz que eu não faço?
• Tem alguma ferramenta gratuita, ou quase, que resolveria isso?
Às vezes a inovação é organizar o financeiro e separar, de uma vez por todas, o dinheiro da empresa do dinheiro de casa. Às vezes é usar um sistema de gestão no lugar de três planilhas que ninguém entende. Às vezes é simplesmente ouvir a equipe, porque quem está no balcão sabe de coisas que o dono não sabe.
O maior obstáculo da inovação não é o dinheiro, nem a tecnologia. É o medo. Medo de errar, medo de gastar, medo de parecer bobo. Só que errar pequeno, rápido e barato faz parte do jogo. O que não dá é errar grande por ter ficado parado esperando o momento perfeito, porque esse momento não existe.
Eu vejo isso todo dia nas empresas. Os clientes que mais crescem não são necessariamente os que têm mais capital. São os que têm curiosidade. Inovar é possibilidade para quem quer crescer e é necessidade para quem quer sobreviver.
*André Luis Barbosa é contador, professor e especialista financeiro. Atualmente, é vice-presidente de Desenvolvimento Profissional e Institucional do Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia.