A ampliação do número de motos, tendo alcançado a Bahia a liderança nacional em aquisição de cotas de consórcio, gera, por causa e efeito, recorde indesejado. As rodovias federais em território baiano registram maior quantitativo de óbitos, enquanto Salvador alcançou a alta de 69% no primeiro semestre.
Utilizado para o ofício de entregador, o veículo de duas rodas tanto é ligeiro como vulnerável, levando a pior o condutor nos casos de colisão contra carros e ônibus. Na passagem pelo dia do motociclista, fica o alerta, no sentido de tentar reduzir os atritos entre grupos sociais envolvidos, a fim de defender a integridade dos jovens expostos aos riscos.
A liberdade de escolher entre a pressa e a segurança no trânsito permanece intacta, embora produza angústia, pois reduzir a velocidade pode representar perder o cliente. Na dúvida entre uma solução conservadora e o arrojo de chegar no tempo exato, o trabalhador se vê pressionado pela necessidade de correr, pois será avaliado.
Do outro lado, plataformas digitais mantêm-se na posição de controladores. Assim crescem as empresas, com mais entregas em menos tempo, garantindo novos pedidos. Quem poderia ajudar fiscalizando o mecanismo desigual acaba, ao contrário, culpabilizando as vítimas já finadas
Peças publicitárias passam a ideia de que os jovens escolhem viver ou morrer, em igualdade de condições, como se não tivessem de lidar com as imposições de prazo. Como agravante, a consulta de endereços e contatos se faz pelo celular, ampliando o risco dos microempreendedores – fatal arapuca tecnológica.
Ou se encontra meio de propor prazos razoáveis, ou a escalada de óbitos será inevitável, pois ao contratante basta substituir mão-de-obra, restando aos corajosos trocar o sonho de serem autônomos por uma cruz precoce na próxima viagem.