Um estudo realizado por pesquisadores da Espanha e publicado na revista Journal of Agricultural and Food Chemistry revelou que a cerveja nem sempre precisa levar a fama de vilã da saúde. A pesquisa indicou que o consumo diário de 330 ml da bebida pode reduzir o risco de desenvolver doenças cardíacas e diabetes tipo 2.
Para a pesquisa, os profissionais iniciaram o chamado estudo duplo-cego e randomizado com 19 homens saudáveis, de 23 a 58 anos de idade. Assim, dividiram os participantes em dois grupos para beber 330 ml de cerveja por dia no jantar, durante um período de um mês.
Dessa forma, o resultado constatou o aumentou da diversidade da microbiota intestinal, conjunto de bactérias que vive no organismo e considerado um dos sistemas mais importantes do corpo. Ele influencia desde a imunidade até processos inflamatórios. Quanto mais diversa essa microbiota intestinal, melhor tende a ser a resposta do organismo. Portanto, isso pode ajudar o corpo a manter um equilíbrio interno mais estável.
De acordo com a pesquisa, a constatação acontece por causa dos polifenóis micronutrientes altamente antioxidantes encontrados naturalmente nas plantas, incluindo malte e lúpulo. Esse dois compostos estão presentes na cerveja e são os principais ingredientes responsáveis pelo aroma e amargor da bebida.
Mitos e verdades sobre a “barriga de cerveja”
O estudo também analisou os fatores por trás da famosa “barriga de cerveja” , acúmulo de gordura visceral na região abdominal, perigosa por envolver órgãos como o fígado e frequentemente associada ao consumo da bebida. No entanto, embora a cerveja contribua com “calorias vazias” e inchaço (gás), ela não é a única culpada. Revisões científicas apontam que o consumo leve a moderado de álcool não está associado de forma consistente ao aumento de gordura corporal.
Ou seja, a “barriga de cerveja” não surge apenas por causa da bebida em si, mas sim da combinação do consumo frequente em grandes quantidades, associação com alimentos calóricos, alimentação inadequada, sedentarismo e genética.
Como a pesquisa foi realizada também em cervejas não alcoólicas, os estudos mostram que não há nível seguro de consumo de álcool. Portanto, recomenda que a quantidade se mantenha em um baixo nível, o qual não passe de duas doses diárias.