A construção da Ponte Salvador–Itaparica avança com 600 empregos diretos e indiretos. Os operários cumprem jornadas de oito horas por dia e trabalham aos sábados em regime de horas extras. Para o esclarecimento de dúvidas proliferadas nos últimos dias nas redes sociais, os funcionários da concessionária apresentaram ontem o andamento do projeto abrindo as portas do canteiro que pertencia a Petrobras, em Maragogipe.
Segundo o secretário da Ponte Salvador–Itaparica, Mateus Dias, formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) em arquitetura com extensão em gestão estratégica pública pela Unicamp, acumulando 21 anos de experiência como servidor público desde o governo de Paulo Solto (UB). Ele informou que o projeto reúne cerca de R$ 12 bilhões em investimentos, divididos entre recursos públicos e privados.
Desse total, aproximadamente R$ 3 bilhões serão aportados pelo Governo da Bahia e outros R$ 3 bilhões pelo Governo Federal. A iniciativa privada ficará responsável pelos R$ 6 bilhões restantes, com recursos próprios e financiamentos de instituições como o BNDES e bancos de desenvolvimento chineses.
“O projeto alcança cerca de 250 municípios baianos e beneficia aproximadamente 6 milhões de pessoas. Estimamos um retorno econômico e social superior a R$ 40 bilhões ao longo da operação da ponte, isso justifica o investimento público previsto para os próximos anos”, afirmou o secretário Dias.
O empreendimento está dividido em três grandes frentes de trabalho. A primeira fica em Salvador, onde funcionará a sede administrativa da concessionária, das empresas responsáveis pela execução da obra e da Secretaria da Ponte. O antigo prédio da Petrobras no bairro do Comércio está passando por reforma e deverá ser ocupado até setembro deste ano. As intervenções na área urbana da capital, entretanto, só devem começar em 2028, após a conclusão das etapas consideradas críticas do cronograma.
De acordo com o secretário, o maior desafio da engenharia está na construção do vão central da ponte. As torres terão cerca de 250 metros de altura e uma delas será instalada sobre o leito da Baía de Todos-os-Santos, a aproximadamente 46 metros de profundidade, quase o dobro da profundidade máxima da Ponte Rio-Niterói.
Sobre a dúvida que surgiu nas mídias digitais sobre o estado físico dos materiais da construção, Mateus Dias explica.
“Se alguém disser que a obra mal começou e o aço já está enferrujado, isso não é verdade. Essa oxidação faz parte das características do material e funciona como proteção da estrutura. Além disso, essas peças não ficarão expostas após a conclusão da obra”, explicou o secretário da ponte.
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Processo de soldagem
O engenheiro civil com MBA pela FGV em gestão empresarial, Francisco Miguel Alves, que possui 29 anos de experiência em grandes empreendimentos, apresentou o processo de soldagem questionado por parlamentares por estarem muito visíveis. O engenheiro informou que existe um rigoroso controle de temperatura e proteção contra o vento para garantir a resistência das estruturas.
“Cada segmento é alinhado com precisão antes da soldagem definitiva. Depois realizamos tratamento superficial, inspeção com líquido penetrante e testes por ultrassom para verificar a qualidade da união. Essas estacas terão cerca de 30 metros de comprimento e serão cravadas com equipamentos de grande impacto. Por isso, a resistência da solda precisa ser absoluta”, explicou o engenheiro.