conheça a nova Deusa do Ilê Aiyê

Carol Xavier conquista o Ébano após três anos e exalta a força do coletivo –

A bravura e a persistência de Carol Xavier ajudaram a jovem, de 27 anos, a alcançar, depois de três tentativas, o título de Deusa do Ébano 2026 do Ilê Aiyê. Eleita no último sábado, 17, durante a 45ª Noite da Beleza Negra, na Senzala do Barro Preto, em Salvador, Carol já havia concorrido nos anos de 2023 e 2024, porém, em nenhuma das duas candidaturas alcançou o posto.

Assim como uma onça, Carol, moradora do bairro de Sussuarana, na capital baiana, é forte, potente, visionária, defensora do seu território e, sobretudo, dos seus: da filha, familiares, amigos, conterrâneos e tantos outros que ela considera como ‘seus’.

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Assim como uma onça, Carol também tem uma visão bem desenvolvida; não à toa que, mesmo diante das responsabilidades, ela seguiu acreditando que um dia traria, sim, esse troféu para sua comunidade.

Mãe de uma garotinha atípica, de 6 anos, estudante de jornalismo, Carol abriu o coração em entrevista ao Grupo A TARDE e, durante o bate-papo, contou detalhes da sua trajetória, a emoção do título, os planos para o futuro e o orgulho gritante de colocar Sussurana no topo.

“Eu já tentei três vezes. Na primeira, eu não fiquei em nenhuma colocação. Depois, fiquei em terceiro, depois em segundo. E hoje, o primeiro título de Deusa do Ébano chegou. Muita emoção, mas eu estava muito firme na concretização desse sonho que foi construído em comunidade, em quilombo. Foram várias pessoas que se mobilizaram para fazer esse sonho acontecer. Foi um sonho que não foi só meu. E eu estou muito feliz por isso”, disse.

Ao ser questionada sobre a sua relação com o bairro que mora, inicialmente, ela respondeu com um sorriso largo, brilho nos olhos e, na sequência, com as seguintes palavras:

“Desde nova que faço mobilizações sociais dentro da comunidade, através da dança e da poesia. Então, eu sempre tive um envolvimento com muitas crianças, com muitas mulheres pretas. E esse é mais um movimento que eu trago como referência, como empoderamento da minha comunidade e dizer que Sussuarana está no topo. Então, representar a minha comunidade nesse espaço de poder é muito importante para que a Sussuarana compreenda que aqui tem, sim, pessoas de poder. E quando eu falo de poder, são pessoas pretas que podem ocupar esses espaços, onde dizem que a gente não pode”, declarou emocionada.

“Eu já era conhecida na comunidade, mas agora, trago uma grande referência que ajuda o bairro a entender que ele está subindo os degraus”, completou Carol.

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Mensagem a colegas

Além de Carol, outras 14 garotas/mulheres concorreram ao 45ª título de Deusa do Ébano. Todas elas desejavam essa conquista. Apesar do concurso eleger apenas uma deusa e duas princesas, as selecionadas representam o coletivo, representam aquelas que não conseguiram chegar a esse posto, mas também, cada mulher negra da sociedade baiana. Já que coletividade é uma das lutas de Carol, ela deixou sua mensagem para as demais candidatas.

“Não tem nada fácil para a gente [negro, de bairro periférico]. Esse é mais um desafio que também não é fácil. Se não deu certo, talvez não seja esse o momento. Eu acredito que Deus e Orixá predestinam o momento de cada pessoa no melhor momento, na melhor hora, no melhor dia, na melhor noite”, disse.

“Então, se não aconteceu dessa vez, tenta de novo, se prepara mais. E sempre pensar em ser comunidade, em quilombo, porque sozinho a gente não dá conta. A gente precisa ser quilombar. Então, quando a gente entrar com família, com amigos, com conhecidos, que a gente entre pensando em uma fortalecer a outra. É mais potente, é mais forte, é mais firme”, destacou.

Quem é Carol Xavier?

| Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

Sobre quem é Carol Xavier, a Deusa abre o verbo.

“A moradora do bairro da ‘Onça’, termo também associado à localidade de Sussuarana, é uma jovem versátil, com aspirações e defensora da coletividade.

“Carol é essa mulher preta, que é mãe de uma criança atípica, de seis anos, que é candomblecista, filha de Ewá, que tem um coração gigante, mas com muita perseverança. Que tem o pé firme no chão, que tem os seus projetos, as suas mobilizações sociais, sempre pensando na comunidade, em empoderar as crianças”, começou.

“Carol é essa mulher que tem uma empresa de turbante e trabalha esse empoderamento, também, através desse cuidado com os turbantes, que é a proteção do nosso Orí. É uma mulher que corre pelo seu, que é estudante de jornalismo e que, diariamente, corre pela melhora, não só minha, mas da minha comunidade, da minha família e da minha família de Axé”, se autodescreveu.



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