A campanha inédita do Bahia no Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino passou pelas mãos e pelos pés da goleira Yanne Lopes. Aos 23 anos, a atleta das Mulheres de Aço é uma das capitãs da equipe e, nesta terça-feira (22), teve o trabalho reconhecido com a convocação para a Seleção Brasileira Feminina.
Nascida em Salvador, a goleira das Mulheres de Aço recebeu incentivo familiar para praticar atividades físicas na infância. Yanne se encantou pelo futebol e viu nele mais do que uma oportunidade de manter o corpo saudável e em movimento, mas também sua futura profissão.
Yanne começou no futsal jogando na linha. Após uma competição em que foi colocada no gol, nunca mais abandonou as luvas. Em 2019, ingressou nas categorias de base do Vitória, no Sub-16, mas não permaneceu muito tempo no clube rubro-negro.
Em 2020, foi aprovada para as categorias de base da Ferroviária, uma das principais equipes do futebol feminino brasileiro, onde se destacou. Em 2021, fez parte do elenco que conquistou a Libertadores Feminina com as Guerreiras Grenás, sob o comando da técnica Lindsay Camila, a única mulher a vencer a competição no cargo de treinadora.

O desempenho na base da equipe paulista levou Yanne para a Seleção Brasileira Feminina de base. A primeira convocação aconteceu em 2021, para a categoria Sub-20. A goleira participou do ciclo com outras convocações, conquistou com o Brasil o Sul-Americano Feminino Sub-20, em abril de 2022, e, em julho do mesmo ano, foi convocada para a Copa do Mundo Feminina da categoria, onde o Brasil ficou em terceiro lugar.
Jornada no Bahia
Em 2023, o Bahia foi rebaixado para o Brasileirão Feminino A2 e, em 2024, iniciou o processo para retornar à elite. Em janeiro, contratou Lindsay Camila para comandar a equipe rumo ao acesso. Na montagem do elenco, o clube trouxe atletas conhecidas da treinadora. Dentre elas, Yanne, contratada em janeiro daquele ano, aos 20 anos, para duas temporadas com o Tricolor.
A goleira se tornou uma peça importante das Mulheres de Aço na campanha de 2024, quando o Bahia conquistou o acesso e o título do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino Série A2.


Em dezembro daquele ano, o Bahia disputou a final da Ladies Cup com o Grêmio. No tempo regulamentar, a partida terminou empatada e a decisão aconteceu em cobranças de pênaltis. Yanne defendeu três batidas, mas, como apenas duas jogadoras das Mulheres de Aço converteram as cobranças, a equipe não conquistou o título.
O desempenho da arqueira gerou renovação contratual antecipada e, em abril de 2025, o Bahia renovou com Yanne até dezembro de 2027.
Na última temporada, a goleira também se destacou em cobranças de pênaltis ao defender duas batidas nas quartas de final da Copa do Brasil Feminina. As Mulheres de Aço superaram o Red Bull Bragantino e se tornaram a primeira equipe profissional do Bahia a chegar à semifinal da competição.
Clamor da torcida
A torcida tricolor clamava para que a goleira recebesse uma oportunidade na Seleção Brasileira principal. E o desejo dos torcedores não era sem fundamento. Em novembro de 2025, o técnico da Seleção Feminina, Arthur Elias, foi questionado sobre a ausência de jogadoras que atuam no Nordeste na convocação. À época, o treinador comentou sobre a atleta das Mulheres de Aço.


“É muito mais uma questão de mercado que faz com que essas equipes tenham mais jogadoras em nível de seleção, mas o olhar é igual para todos. A gente teve uma atleta do Bahia muito próxima de ser convocada. Eu espero que o que a gente está fazendo seja um exemplo para todas elas e todos os clubes entenderem que o olhar da seleção realmente é bem amplo e não tem nenhuma distinção”, declarou.
Após a partida entre Bahia e Palmeiras pelo jogo de ida das quartas de final do Brasileirão Feminino, o técnico Felipe Freitas defendeu uma convocação para a goleira titular das Mulheres de Aço, mas também declarou que o elenco possui outras atletas que podem contribuir com a Seleção Brasileira de Futebol Feminino:
“Yanne é uma atleta completamente determinante no nosso modelo de jogo. E até o último jogo ela era disparada a goleira de maior cobertura de profundidade do Brasil, até dentro do modelo que o Artur tem na seleção, contribuiria bastante. Eu tenho certeza que o Edson, Artur, entre outros, eles analisam, veem e certamente eles têm sabedoria para identificar se sim ou se não, se não é o momento. Eu acho que sim, pelo menos oportunizá-la. Eu sei que o Brasil tem grandes atletas, mas enquanto tiver oportunidade nós trabalharemos bastante e, se Deus permitir e se for da vontade da seleção, que as nossas atletas estejam lá representando, estarão representando e fazendo jus a essa convocação”.
Copa do Mundo
Faltando menos de um ano para a Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil, Yanne não escondia o sonho de estar na Seleção principal de futebol feminino.
“Referente à Seleção Brasileira, com certeza é um sonho. Eu trabalho muito para que, quando eu tiver a oportunidade, eu possa agarrar ela da melhor maneira. Eu acredito que Deus tem uma coisa determinada e, se eu tiver essa oportunidade, eu vou entregar ao máximo, vou me dedicar o bastante para que eu possa não só ter uma oportunidade, mas que eu possa permanecer ocupando uma vaga na Seleção Brasileira”, afirmou.
Futuro no Bahia: ‘Sonho alto’
Com as Mulheres de Aço, Yanne conquistou o Brasileirão Feminino A2, dois Campeonatos Baianos de Futebol Feminino, a terceira melhor equipe da Copa do Brasil Feminina e a melhor campanha do Bahia Feminino no Brasileirão A1. Em fevereiro, a arqueira declarou quais projetos deseja viver com o tricolor.


“Eu quero colocar o Bahia feminino num patamar que talvez ele nunca tenha estado antes. Muitas pessoas às vezes podem até achar que eu sonho alto demais, mas eu tenho certeza que isso não é sonho, é uma coisa que vamos realizar. A gente trabalha bastante e se dedica para colocar o Bahia feminino numa Libertadores. E eu sei o quanto isso é possível, ano passado ficamos em terceiro colocado de uma Copa do Brasil. São mais de 100 times e nós ficamos numa posição que muitas equipes queriam estar. Eu acredito que esse será um ano muito consistente, que quando o Bahia necessite eu possa ajudar ele da maneira que seja necessária e que eu consiga estar sempre preparada e passando muita confiança para minhas companheiras de equipe, o que é muito necessário, acredito, para você ter é uma equipe é consistente e tudo começa na defesa”, avaliou Yanne.
O Brasil tem direito a duas vagas na Libertadores Feminina, elas são concedidas ao campeão e ao vice do Brasileirão. Caso em 2026 uma das duas melhores equipes do campeonato brasileiro feminino conquiste a Libertadores, a terceira melhor equipe da competição nacional herdará uma vaga para o maior torneio do futebol feminino da América do Sul. Isso acontece porque a equipe que vence a Libertadores Feminina conquista automaticamente uma vaga na próxima edição da competição.