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como criar hábitos saudáveis desde a infância

O Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado neste sábado, 8, ascende um alerta importante: por que uma das maiores vítimas dessa condição são as crianças e os adolescentes e qual a influência da educação nutricional nesse processo?

Segundo uma revisão de estudos realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mais de um quarto das crianças e dos adolescentes brasileiros apresentam níveis elevados de colesterol total.

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Esse dado gera uma reflexão sobre a formação nutricional, especialmente, nas primeiras fases da vida, quando as crianças estão no processo de introdução alimentar. Uma das grandes contribuintes para a construção de hábitos saudáveis é a escola, ao lado da família e da sociedade.

Para Naldir Machado, nutricionista responsável pela fiscalização das empresas terceirizadas da Secretaria Municipal da Educação (Smed), a alimentação saudável precisa ser construída desde os primeiros anos de vida.

“A gente precisa ver a escola como uma parceira da família. Fazemos sempre atividades educacionais para valorizar o papel da alimentação escolar e desenvolver o maior entendimento dos alunos sobre a alimentação saudável. Esse trabalho deve ser iniciado desde a creche para que a gente possa formar adultos com consciência nutricional”, afirma Naldir em entrevista ao portal A TARDE.

É justamente a partir desse papel essencial da escola que surge o Semáforo Alimentar, projeto desenvolvido na rede municipal e que utiliza atividades lúdicas para incentivar os estudantes a fazer escolhas mais saudáveis à mesa.

A atividade começa com uma conversa sobre os diferentes tipos de alimentos e seus impactos na saúde. Em seguida, as crianças participam de um circuito interativo, classificando os alimentos em caixas que representam as cores do semáforo (verde, amarelo e vermelho).

Crianças depois de classificarem os alimentos de acordo com as cores do semáforo
Crianças depois de classificarem os alimentos de acordo com as cores do semáforo – Foto: Alice Paulilo | Ag. A TARDE

Os alimentos são divididos em quais podem ser consumidos com maior frequência, quais exigem moderação e quais devem ser evitados. O portal A TARDE conversou com Loara Guimarães, nutricionista responsável pelos projetos de educação nutricional na LemosPassos, que comenta sobre a importância de propostas como essa.

“Fazer essas atividades lúdicas e trazer os alimentos divididos nas três categorias, faz com que a gente aproxime a alimentação dos alunos. Nós discutimos também o porquê não pode comer, não só diz que ‘não pode’, mas dá um feedback da resposta para aquele aluno, isso é muito importante”, ressalta ela.

Níveis elevados de colesterol: um alerta a população infantil

O colesterol elevado é uma condição frequentemente associada à vida adulta, mas segundo os especialistas, os fatores de risco para doenças cardiovasculares começam a ser construídos ainda na infância.

A revisão de estudos, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta que mais de um quarto das crianças e dos adolescentes brasileiros apresenta níveis elevados de colesterol.

Entre os principais desafios está o consumo, cada vez mais frequente, de alimentos ultraprocessados, ricos em sódio, açúcares e gorduras, que ocupam espaço na rotina alimentar de muitas famílias, principalmente, por terem um custo mais assessível.

“Os alimentos ultraprocessados são infinitamente mais baratos do que os in natura. A gente trabalha com a comunidade que além de ter uma maior disponibilidade de compra desses alimentos, não entende o quanto isso vai ser prejudicial a criança. Oferecer todos os tipos de alimentos, o mais in natura possível, é uma progressão para um futuro saudável”, comenta Loara.

A partir dessa realidade, a nutricionista trouxe dicas para escolhas alimentares mais conscientes:

“Com o custo muito elevado da cesta básica, a gente pode optar por feiras livres, agricultores familiares e a preferência por frutas e verduras da estação, que são mais baratas. É importante também levar a criança para conhecer esses ambientes e introduzir eles na escolha dos alimentos”, orienta a nutricionista.

“Quando for oferecer o produto industrializado, é importante ler o rótulo, procurar entender aquelas especificações, procurar também aqueles que são menos açucarados, que não são transgênicos. Assim, então a gente vai conseguindo, dentro da nossa limitação financeira, fazer uma alimentação equilibrada”, completa Loara.

Proibir não é o caminho para a educação nutricional

Naldir Machado e Loara Guimarães responsáveis pela atividade do Semáforo Alimentar
Naldir Machado e Loara Guimarães responsáveis pela atividade do Semáforo Alimentar – Foto: Alice Paulilo | Ag. A TARDE

Diante dos estudos e esclarecimentos das profissionais, fica claro que consumir produtos ultraprocessados e industrializados gera consequências graves desde a infância.

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Mas alimentos como esses já fazem parte da rotina da maioria das pessoas, por isso, tornar o consumo deles como algo proibido não vai ajudar a construir a consciência alimentar das crianças, pelo contrário, pode assustar e gerar mais desejo.

“A palavra proibir vem com uma carga muito pesada para a criança, porque querendo ou não, esta fase da vida já possui muitos desafios. Quando a gente muda para o ‘evitar’ e o ‘evitar porque…’, ‘evitar porque não é saudável’, eles começam formar um entendimento cognitivo sobre os alimentos a gente pode ou não deve consumir e assim, a gente consegue ganhos melhores”, ressalta Loara Guimarães.

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