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Clubes cogitam paralisação do Brasileirão após proibição das bets

A reação dos principais clubes do futebol brasileiro à Medida Provisória que proibiu as bets no país ganhou novos contornos nesta terça-feira (29). Dirigentes passaram a discutir, segundo informações do Estadão, até a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro diante do impacto da decisão sobre contratos de patrocínio e o planejamento financeiro das equipes.

A mobilização aumentou após os clubes optarem por não participar da reunião que havia sido marcada pelo Governo Federal para discutir os efeitos da medida. O encontro, que também envolveria representantes da CBF, acabou cancelado.

A MP nº 1.394 foi publicada em 25 de setembro e proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no território nacional, incluindo as modalidades esportivas.

Clubes querem prazo para adaptação

Entre as propostas discutidas pelos dirigentes está a criação de um período de transição para que os clubes possam reorganizar contratos atualmente vinculados às empresas de apostas. De acordo com o Estadão, as sugestões variam entre seis meses e um ano antes da retirada definitiva das marcas do setor.

A preocupação é especialmente relevante para o futebol, que passou a depender de forma significativa dos investimentos das casas de apostas. Levantamento publicado pela Máquina do Esporte aponta que 13 dos 20 clubes da Série A tinham uma empresa do segmento como patrocinadora máster nesta temporada.

A própria medida provisória estabeleceu prazos para a retirada de materiais publicitários e de patrocínio. Segundo o governo, as empresas têm até 5 de outubro para retirar essas peças, enquanto os sites e aplicativos de apostas devem sair do ar a partir de 6 de outubro.

Pressão por atuação da CBF

Além da tentativa de obter um prazo maior para adaptação, os clubes querem que a Confederação Brasileira de Futebol tenha uma participação mais ativa nas conversas com o Governo Federal.

A intenção dos dirigentes é discutir alternativas para reduzir os efeitos financeiros da medida sobre as equipes e encontrar uma forma de reorganizar contratos que foram firmados sob o cenário regulatório anterior.

A proibição já começou a produzir efeitos também fora dos contratos esportivos. O Ministério da Justiça informou que uma força-tarefa identificou e derrubou 506 sites suspeitos de oferecer apostas de forma irregular após a publicação da MP.

Enquanto os clubes discutem os próximos passos, a eventual paralisação do Campeonato Brasileiro ainda aparece como uma possibilidade em avaliação pelos dirigentes, e não como uma decisão tomada pelas equipes ou pela CBF.

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