A Casas Bahia iniciou uma ampla reestruturação de suas operações no Brasil. Entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), a varejista fechou 298 lojas e desligou cerca de 1,9 mil funcionários. A informação é do jornal Valor Econômico.
A medida representa 28,7% das pouco mais de mil unidades da empresa no país.
Os desligamentos começaram na quinta-feira, quando a empresa demitiu aproximadamente 600 trabalhadores. Para esta sexta-feira (14), estavam previstos outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes. Dessa forma, uma das estimativas aponta que o número total de demissões pode chegar a 3 mil.
Assim, a redução da estrutura faz parte de um plano para diminuir despesas, que deverá ser detalhado pela companhia nos próximos dias. A medida ocorre em um momento de dificuldades financeiras para a varejista, que acumulou prejuízos nos últimos períodos.
No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro da perda contabilizada no mesmo período de 2025. No ano passado, o prejuízo consolidado chegou a R$ 3 bilhões, três vezes o resultado negativo registrado em 2024.
Além dos resultados negativos, a empresa enfrenta o impacto do endividamento dos consumidores, que reduz o poder de compra, e de despesas financeiras elevadas. Em 2024, a companhia entrou em recuperação extrajudicial para reorganizar sua estrutura de capital e encerrou o processo após um acordo com bancos.
Medidas
A redução anunciada nesta semana também contrasta com o ritmo anterior de fechamento de unidades. Assim, nos 12 meses até março, a companhia havia encerrado 26 lojas, sendo 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio. Ao final de 2025, a rede tinha 1.042 lojas, contra 1.064 no ano anterior.
Paralelamente ao fechamento das unidades, a empresa busca melhorar o fluxo financeiro. Dessa forma, entre as medidas estão o adiamento de pagamentos a lojistas do marketplace e a negociação de prazos maiores com fornecedores.
Próximos resultados
O anúncio da reestruturação ocorre na mesma semana em que a Casas Bahia deve apresentar os resultados do segundo trimestre. Assim, a divulgação, inicialmente prevista para quarta-feira (12), foi adiada para esta sexta-feira (14). Já a teleconferência com analistas está marcada para segunda-feira (17).
Dessa forma, apesar dos prejuízos, a companhia registrou crescimento de 6,4% na receita bruta consolidada no primeiro trimestre, que chegou a R$ 8,8 bilhões. O avanço foi impulsionado principalmente pelo comércio digital, enquanto a receita das lojas físicas recuou 1,8%. Além disso, as vendas digitais de produtos próprios cresceram 26% no período.